27/08/2016 - Família descarta latrocínio de comerciante

27/08/2016 - Família descarta latrocínio de comerciante

Familiares do comerciante Dieberg Paiva de Oliveira, 54, morto com um tiro no rosto na noite do dia 29 de julho, no CPA 3, apontam que o motivo da morte foi vingança e não latrocínio (roubo seguido de morte), conforme anunciou a Polícia.

A família, que morava há mais de 30 anos no local, mudou na mesma noite em que Dieberg foi assassinado, diante da casa dele e de um dos filhos. Os três filhos e a esposa temem por suas vidas e preferiram deixar o imóvel. A esposa de Dieberg teve quadro de doenças agravado pela depressão.

Familiares não acreditam que os três adolescentes que cometeram o crime estavam interessados na caminhonete, estacionada na garagem, mas que foram até o local para executarem a vítima, a mando de terceiros. Isto porque Dieberg havia encabeçado uma lista de assinaturas para retirada de um bar da região. O comércio, que funcionava durante o dia e madrugada, era apontado como ponto de encontro de criminosos.

Em consequência disto, moradores e pessoas que caminhavam pela região eram roubadas, agredidas e até abusadas pelos frequentadores. 

Dias antes do assassinato, uma ação da Polícia Militar fechou o estabelecimento. Mas a interdição durou pouco e no dia da morte de Dieberg o comércio já estava aberto. Testemunhas confirmaram aos familiares que os três adolescentes passaram pela avenida pouco antes, seguiram até o bar e voltaram, indo para a casa do comerciante.

A vítima ainda teria tentado escapar, entrando pelo portão. A esposa gritou. Um dos filhos correu e levou a mãe para dentro e mandou ela trancar a porta. Quando abriu o portão, viu o pai de joelhos, na rua, e o criminoso apontando a arma contra cabeça dele, fazendo o disparo.

Familiares acionaram a PM e o Samu, mas o atendimento demorou e com recursos próprios levaram o comerciante para a unidade de saúde, onde morreu.

Logo após fazerem os disparos, os adolescentes correram e os dois rapazes foram alcançados logo adiante. Um grupo de moradores tentou linchá-los e só não matou a dupla porque a PM chegou. Em estado grave foram removidos para o Pronto-Socorro de Cuiabá. A arma usada para o crime desapareceu na confusão.
Dieberg deixou viúva, três filhos e três netos.

Ele foi um dos primeiros moradores do CPA 3 e líder comunitário que atuou ativamente para construção da igreja católica e criação do grupo de jovens. 

A reportagem não conseguiu confirmar qual delegacia está investigando o caso. A informação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que atendeu a ocorrência no dia, é que seria a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), pelo fato dos autores do crime serem menores.

A DEA informou que não está com o caso, que teria sido remetido à Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (Derfva), que não confirma ter assumido a investigação. Informações extraoficiais apontam que um dos adolescentes ainda estaria no PS, mas sem vigilância. O outro foi removido para um hospital privado, dias depois.

 

 

 

Silvana Ribas, repórter do GD

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