27/09/2012 - MT precisa de R$ 3 bilhões

 

 

Levantamento realizado pela Aprosoja/MT e Imea já está nas mãos do ministro da Agricultura e requer ação urgente

A safra mato-grossense de grãos 2012/13 nasce com projeções inéditas de produção, área plantada e preços, mas também com indicativos recordes de falta de infraestrutura de armazenagem. Soja e milho deverão impor a esta temporada, recentemente iniciada com o plantio da oleaginosa no último dia 16, déficit de estocagem de mais de 17,42 milhões de toneladas, volume que só encontrará abrigo após investimentos de cerca de US$ 1,7 bilhão, ou mais de R$ 3 bilhões. Se a ação não for urgente, além do colapso na movimentação dos produtos vindos das lavouras a partir desta safra, daqui a dez anos o investimento terá de ser multiplicado para algo em torno de R$ 10 bilhões.

A demanda atual e futura de armazenagem de grãos foi elaborada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), juntamente com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), e entregue pelo governador Silval Barbosa, na semana passada, ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho. Todas as regiões, com exceção da oeste, apresentam déficits entre produção e armazenagem.

A expectativa do segmento produtivo estadual é de que a demanda seja atendida o mais rápido possível para que a safra nova “não se transforme em um problema, para além daqueles que o setor já enfrenta, especialmente por falta de infraestrutura de logística”, frisa o presidente da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro.

Como explica o diretor-executivo da Aprosoja/MT, Marcelo Duarte Monteiro, para se chegar às demandas atuais e futuras foram consideradas as estimativas de produção de soja e milho para as principais regiões mato-grossenses, a necessidade de estoques 1,2 vezes acima da produção e as projeções futuras do Imea.

Os dois principais grãos produzidos no Estado deverão contabilizar produção de 38,03 milhões de toneladas neste ciclo. O levantamento mostra que a capacidade atual existente comporta 28,21 milhões de t. “Nos Estados Unidos a capacidade estática dos armazéns supera em 20% a produção total”. Considerando essa média, a capacidade estadual hoje deveria ser de 45,64 milhões de t para dar amplo acondicionamento à safra 2012/13 estimada em 38,03 milhões de t que, suplementada em 20%, exige capacidade estática de mais 45 milhões. Entre o real e o ideal há o déficit de mais de 17 milhões de t. O valor a ser investido é calculado diante de um custo médio de US$ 100/t. “Para 2002, por exemplo, a produção das duas commodities vai a 66,08 milhões de t e a necessidade de estocagem sobre para mais de 51 milhões t”.

Sobre custos, Monteiro argumenta que o valor, diluído em dez anos, representaria muito pouco ao se considerar o Valor Bruto da Produção (VBP) estimado para a temporada já finalizada, a 2011/12, que prevê renda de R$ 15,20 bilhões à soja e R$ 4,52 bilhões ao milho. “Juntos são R$ 20 bilhões, pouco mais de dez por cento desse valor são necessários para suprir uma demanda por um longo período”.

COMPLEXO - Outro dado destacado pelo executivo da entidade é que apenas 5% da capacidade de armazenagem no país estão nas mãos do produtor, ou seja, dentro da fazenda. “Nos Estados Unidos isso varia entre 50% e 60% da capacidade estática do país e na Argentina, de 20% a 30%”.

O estudo apontou que apenas 200 mil t produzidas no Estado têm espaço em silos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume amplia para os 28,21 milhões porque e Companhia credencia armazéns privados e existem ainda espaços próprios de cada trading.

“Se hoje se ofertam juros de 2,5 para aquisição de máquinas, por que não estender isso à construção de armazéns?”, indaga Monteiro. Essa necessidade de silos é uma realidade nova e complexa. Como frisa, nunca houve preocupação do governo federal para com este braço da infraestrutura da produção primária. “O momento pede esta atenção e isso não é tão simples assim. Armazéns atendem a uma determinada necessidade, requerem consultoria e mão-de-obra especializadas, coisas de que não dispomos em quantidade no Estado. Construir silos não é como uma máquina que está ali, você avalia, compra e leva pra casa. Por isso, há urgência”.

Como explica ainda, o jeito de se fazer o agronegócio mudou. “Antes o produtor, sem capital, vendia tudo de uma vez para pagar o custeio, que em 100% era feito com dinheiro emprestado. Agora, capitalizado e produzindo mais de uma safra no ano, ele quer aproveitar os melhores momentos do mercado para comercializar e por isso o problema da estocagem se mostra tão grande quanto o tamanho desta nova safra”.

PNA – Na última segunda-feira, quando esteve em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá) para lançar oficialmente a temporada 2012/13, Mendes Ribeiro Filho assumiu compromisso com o Estado de incluir as demandas locais no Plano Nacional de Armazenagem (PNA), lançado em julho pela presidente Dilma Rousseff.  

 

 

Diário de Cuiabá - Marianna Peres

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