27/09/2013 - Progresso, sangue e morte: Desorganizadas, obras da Copa matam um e colocam em risco a vida de inocentes

Perigo à vista. Progresso, sangue e morte.  Máquinas pesadas para todos os lados. Algumas girando de um lado para o outro, passando raspando os carros sem nenhuma proteção. São carretas carregando tratores, inclusive tratores de  esteira, sem nenhum tipo de proteção como bandeiras e carros-batedores na frente e atrás. Uma pessoa já foi morta pela bagunça do trânsito e outras seis ficaram feridas por acidentes provocados por falta de fiscalização nas obras e seus entornos.

 

As obras da Avenida Rubens de Mendonça, por exemplo, estão sendo “tocadas” na marra, com as máquinas girando de um lado para o outro, no meio e nos dois lados da pista, levando risco para pedestres para pessoas que estão dentro de veículos como carros, motos e até dentro de ônibus.

 

As pessoas reclamam, por exemplo, que além das ausências das placas de sinalização, também não existem fiscais de trânsito, muito menos tapumes para proteção dos veículos que são obrigados a trafegar ao lado de máquinas pesadas, inclusive aquelas que servem para enchera caçambas de terra e entulho, que giram para todos os lados, colocando em risco vidas inocentes.

 

Todos os dias. Aliás, em plena luz do dia, carretas são flagradas transportando tratores, inclusive de esteira em cima. Foi a lâmina de uma dessas carretas que transportava um trator esteira em cima que matou o trabalhador Francisco Gomes do Nascimento, de 63 anos.

 

Passavam das 14 horas deste cinco de agosto deste ano, uma carreta transportando um trator esteira atingiu a bicicleta pedalada por Francisco, que morreu minutos depois no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC). O trabalhador foi atingido na cabeça, justamente pela esteira de aço do trator que estava sobre a carreta.

 

A reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News constatou “in loco” várias irregularidades, todas de responsabilidade do Governo do Estado, da Prefeitura de Cuiabá e da empresa dona do trator e da carreta.

 

A primeira e mais grave irregularidade: a carreta placa JZD-7860, dirigida por Silviano de Souza Farias, de 71 anos - um veículo pesada transportando um trator ainda mais pesado -, trafegava em plena 14 horas pela movimentada Avenida Oatono Canavarro, em frente ao Sesi-Papa, na Morada do Ouro, em Cuiabá como se nada estivesse ou pudesse acontecer. E aconteceu.

 

Além do horário impróprio para a circulação e uma carreta, ainda mais com um trator em cima, a irresponsavelmente, segundo constou a reportagem, a carreta não vinha acompanhada de seus devidos batedores - um veículo na frente e outro atrás, anunciando a passagens de um veículo em situação e risco.

 

Além da ausência dos batedores, que se estivessem evitariam o acidente e a tragédia com morte, a carreta trafegava sem sequer bandeira em suas laterais. Agora a mais graves de todas as irresponsabilidades: a carreta trafegava a menos de dois palmos no meio-fio, juntamente por onde também trafegava a bicicleta do senhor Francisco, que seguia no sentido Bela Vista-Morado do Ouro.

 

 O motorista apesar de parar para  prestar socorro, acabou confessando aos policiais da Delegacia Especializada de Trânsito, que “eu vi o homem na bicicleta, tentei tirar, mas não deu tempo”. “Não deu porque ele trafegava muito perto do meio fio, quando a lei manda que carros, principalmente carretas trafeguem há pelo menos um metro e meio de distância do meio, principalmente ao lado de ciclistas”, comentou um policial que atendeu a ocorrência.

 

Quando a reportagem chegou ao local, confirmou o que o policial falou: a carreta com o trator em cima estava a menos de dois palmos do meio fio, e o que é ainda pior: as duas esteiras do trator estavam passavam da medida da carreta. Ou seja, o trator era mais largo que a carreta, e foi na esteira de aço do trator que atingiu a cabeça do senhor Francisco, praticamente matando-o na hora. “Verdade. A bicicleta foi atingida bem de leve no guidão, pois a esteira atingiu a parte de trás da cabeça da vitima, que ao cair ainda teve um dos braços dilacerado e   na queda ainda bate o rosto no meio-fio”, narrou um policial.

 

“O que está acontecendo com as obras da Copa em Cuiabá e Várzea Grande é um verdadeiro absurdo. Já morreu gente e ainda vai morrer muito mais caso uma providência não seja domada”, comenta o senhor Paulo, de 62 anos, morador na Grande Morada da Serra.

 

“Meu Deus, carros e gente circulam entre as máquinas, que por sua vez se movimentam para um lado e para o outro sem parar. Tudo isso sem um mínimo de proteção nos canteiros de obras, colocando em risco a vida de pessoas inocentes, principalmente de idosos e crianças”, alerta a comerciante Mara, de 49 anos, morado do centro de Cuiabá.

 

“Dias atrás uma dessas máquinas grandonas que enchem as caçambas de terra e entulhos, por muito pouco não esmaga três pessoas que estavam em um automóvel. Acho até que foi um milagre, pois a mulher que dirigia teve que jogar o carro para o lado, correndo risco de ser atingida que trafegava ao lado dela. Deus, nos ajude”, suplicou dona Marly, de 53 anos, moradora do Grande Cristo Rei, em Várzea Grande (Grande Cuiabá).

 

José Ribamar Trindade

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário