28/01/2014 - Inteligência da PM monitora rolezinhos e garante ação em menos de cinco minutos com até 100 homens

Uma reunião entre a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), representantes dos três shoppings de Cuiabá e a Polícia Militar, realizada na tarde desta segunda-feira (27), selou um entendimento único entre as entidades sobre a possibilidade de os estabelecimentos serem alvos de tumultos durante possíveis “rolezinhos”: Os clientes não tem o que temer. Isso porque, segundo eles, além das instituições estarem preparadas para receber o movimento, a PM também terá a capacidade de dar uma resposta a qualquer problema em menos de cinco minutos, com um efetivo de 80 a até 100 homens.


“Temos uma equipe de inteligência monitorando as atividades desses grupos. Estamos preparados para agir quando for necessário”, afirmou o tenente coronel Helder Taborelli, subcomandante do Comando Regional 1. “E se formos acionados, estaremos prontos para atuar, também, dentro dos shoppings. Como estamos monitorando, poderíamos dar uma resposta muito rápida, em menos de cinco minutos”, completou, ao ser questionado pelos lojistas.

Como exemplo do preparo da Polícia Militar para evitar tumultos, brigas ou qualquer imprevisto, Helder contou que no dia da primeira reunião dos organizadores do “rolê no tchópe”, a versão cuiabana do evento, além das viaturas que foram disponibilizadas para ficar no ponto de encontro dos manifestantes, haviam unidades em frente ao Shopping Goiabeiras, estabelecimento que será palco de um rolezinho no dia 31 de janeiro, além de agentes da inteligência em pontos estratégicos. “Se fosse o caso, os escoltaríamos até o shopping, inclusive para garantir a segurança deles”, afirmou.

Clientes, podem vir, podem chegar

Unanimidade entre os representantes dos três shoppings e para o representante da CDL, o vice-presidente Célio Fernandes, é que os clientes podem ficar tranquilos para fazerem suas compras. Para eles, o rolezinho é muito mais um mito criado pela imprensa do que algo verdadeiro, e que não existe segregação ou discriminação social/racial nos estabelecimentos de Cuiabá. 

“Não há perigo iminente. Todos podem ficar tranquilos. Os shoppings estão preparados para fazer garantir a segurança dos clientes. É preciso desfazer essa imagem do rolezinho em Cuiabá, porque isso pode afastar as famílias e quem quer que considere isso perigoso”, disse o vice-presidente da CDL durante a reunião.

Ainda de acordo com o superintendente do Pantanal Shopping, Fernando Marchesi, Cuiabá ainda não teve nenhum verdadeiro rolezinho, visto que a briga ocorrido no dia 28 de dezembro teria sido um incidente, não um acontecimento fruto de um encontro organizado através das redes sociais. 

“Nós estamos abertos e preparados para receber os jovens. Estão tentando relacionar aquele equívoco, um pequeno desentendimento entre dois jovens na Praça de Alimentação, com um rolezinho, mas não é isso. O termo rolezinho tem sido usado de maneira muito geral. Mas isso é um evento que surgiu como resposta dos jovens da periferia de São Paulo a proibição dos bailes funks nas  ruas”, argumentou.

A briga do dia 28 de dezembro acabou com cadeiras, pratos e outros objetos do estabelecimento quebrado, além de 35 adolescentes detidos. Algumas lojas ficaram temporariamente fechadas e no pedido de liminar impetrado pelo setor jurídico da instituição cita a ocorrência de furtos.

Rolé marcado

O “Rolêzin no Tchópe” está marcado para o dia 31 de janeiro, no Goiabeiras Shopping, às 17h. A ação é um ato em solidariedade aos rolezinhos de São Paulo, eventos em que jovens da periferia marcam de se encontrar, em massa, em um shopping center, que foram proibidos pela Justiça Paulista. Trata-se de um protesto contra um “Apartheid” social/racial velado no Brasil.


Um panfleto divulgado por colaboradores do evento convida os interessados para se “manifestar de maneira divertida e consciente”. “Lutamos pelo nosso direito de sermos tratados como humanos e com respeito, independente de classe social, corda pele e roupas!”, diz trecho do panfleto.

 

Da Redação - Jardel P. Arruda

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