28/02/2015 - Caminhoneiros voltam a bloquear a BR-364 na entrada de Cuiabá

Os caminhoneiros que fazem protesto na BR-163 em Cuiabá retomaram o bloqueio na rodovia, desta vez, no Km 315 (Km 396,5 da BR-364), no Distrito Industrial. 

A interrupção foi registrada pelo Centro de Controle Operacional (CCO) da Rota do Oeste, concessionária que opera na rodovia, por volta de 14h30 desta sexta-feira (27).

Outros pontos de bloqueio estão em Rondonópolis (Km 121 da BR-163/Km 203 da BR-364), Nova Mutum (Km 593), Lucas do Rio Verde, com dois bloqueios, nos Km 683 e 686, Sorriso (Km 746), e em Sinop (Km 839).

No começo da manhã de hoje, a Polícia Rodoviária Federal deu início à operação de desbloqueio das BR-163, 364 e 070, e liberou a BR-163, no Km 397 (Km 306 da BR-364), na Capital. 

A ação foi determinada pelo juiz César Augusto Bearsi, da 3ª Vara Federal do Estado, na quarta-feira (25). 

Ele deferiu pedido da Advocacia Geral da União (AGU) e decidiu pela desobstrução imediata das BRs, sob pena de multa de R$ 1 mil por cada dia que o movimento continue.

A Rota do Oeste informou ainda a existência de um novo ponto de bloqueio, em Lucas do Rio Verde (345 km ao Norte de Cuiabá).

Segundo a concessionária, além do bloqueio no Km 686 da BR-163, que já existia na entrada do município, foi montado um ponto de bloqueio no km 683, na estrada que dá acesso ao município de Nova Mutum.

Com esses pontos, Mato Grosso chegou a onze locais de interdição, nesta sexta-feira, 10º dia de protesto dos caminhoneiros.

Além do trecho bloqueado em Cuiabá (no Km 397 da BR-163 ou Km 306 da BR-364), os caminhoneiros mantêm bloqueados os seguintes trechos, de acordo com informações da PRF e da Rota do Oeste: BR-070 em Primavera do Leste (no Km 274 e no km 285); BR-364, em Rondonópolis (Km 196) e em Diamantino (Km 588 e Km 614); BR-163 em Nova Mutum (Km 598), em Lucas do Rio Verde (Km 683 e km 686), em Sorriso (Km 746) e em Sinop (km 854).

A Rota do Oeste acompanha as manifestações desde o primeiro dia, sinalizando os locais, orientando o tráfego e prestando informações aos usuários. 

A empresa observou que não tem qualquer relação com o movimento realizado e reitera o compromisso com a segurança dos usuários. 

Informações sobre as condições de tráfego estão disponíveis no site rotadooeste.com.br ou pelo 0800 065 0163.

A manifestação, que completou 10 dias na região Norte já trouxe reflexos, principalmente, com relação ao desabastecimento de combustível.

Pelos menos, 10 cidades do Estado já registraram a falta de diesel, conforme informações do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindepetroleo). 

Alguns postos de gasolina nos municípios de Tapurah, Itanhangá, Nova Maringá, Alta Floresta e Guarantã do Norte, Sinop, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, já não tem mais gasolina, etanol, diesel e diesel S10.

Em Cuiabá e Várzea Grande, dois postos de gasolina já registram falta de diesel e etanol. Na região metropolitana, os preços subiram aproximadamente 10 centavos, conforme informações do Sindipetroleo.

Conforme levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) com 540 produtores rurais, 20% deles não têm mais diesel para utilizar nos maquinários das lavouras e 80% têm o combustível para apenas mais cinco dias, em média.

A falta do combustível tem causado atraso na colheita de soja e dificuldade no transporte do grão até os armazéns.

Decisão judicial

A decisão judicial que determinou o fim dos bloqueios nas estradas foi proferida após ação impetrada pela AGU nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A alegação usada é de que a reintegração de posse das rodovias é necessária, pois o protesto causa diversos prejuízos à sociedade, uma vez que coloca em risco o abastecimento das cidades, além de prejudicar o trafego local. 

Na decisão, o juiz César Augusto Bearsi argumentou que os manifestantes tem o direito de protesto, mas este direito não pode se sobrepor à ordem pública e à garantia de livre locomoção, ação que está sendo impedida com os bloqueios.

Além disso, o magistrado pontuou que a população não pode ser penalizada com o protesto sendo que essa parcela da sociedade é a única que tem sofrido com os efeitos e os reflexos da manifestação.

 

 

Da Redação

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