28/03/2013 - Quadrilhas de narcotráfico internacional lavam dinheiro em empresa de Cuiabá; PCC envolvido

Comandada por uma mulher, a quadrilha de tráfico internacional de drogas desarticulada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), principal fornecedora de maconha para o líder do PCC em Mato Grosso, possuía ligações com facções criminosas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. De acordo com o chefe do Gaeco, promotor Marco Aurélio, São Paulo era um dos destinos do entorpecente vendido pela traficante. 

Cintia Raquel Rivas Dias, filha de mãe paraguaia e pai brasileiro, recebia quase que diariamente a visita de um criminoso de uma diferente facção criminosa de diferentes estados em seu hotel, em Ponta Porã – MS, cidade fronteiriça com o Paraguai, país de onde ela trazia a droga para distribuir pelo Brasil. O esquema ainda lavava dinheiro em uma vidraçaria da baixada cuiabana.

Descrita por Marco Aurélio como uma grande articuladora com visão empresarial para um esquema ilícito, Cinta raramente era vista em público e pouco falava por telefone. Os carros em que andava sempre tinham vidros totalmente pretos e a própria negociação da droga ficava a cargo de outro membro da quadrilha. Um homem que fazia isso de dentro da cadeia.

Carlos Alberto Pereira, preso no presídio Mata Grande, em Rondonópolis, era o homem que negociava com os compradores. De dentro da cadeia ele fazia todo o trabalho através de telefonemas – sempre que falava com Cintia ele a chamava de “patroa”. Na sua cela, foi cumprido um mandado de busca e apreensão na tentativa de encontrar mais provas. O celular usado por ele foi apreendido pela polícia.

Enquanto Carlos Alberto era responsável pelas negociações, Cintia também contava com ajuda de outros dois traficantes para fornecer a maconha paraguaia. Luanda Tavares Pacheco e Julio Noel Correa, homem que foi preso, em 2008, com 12 toneladas de maconha em São Paulo. Os dois foram trazidos, junto de Cintia, para Cuiabá na noite de terça-feira (26).

As informações preliminares da investigação do Gaeco dinheiro conseguido através do tráfico de droga poderia estar sendo lavado através de contas bancárias de terceiros. Umas dessas contas seria a de uma empresa de vidros de Cuiabá, cujo dono, Julio Cesar Baldoino Pinto, também preso na operação, possui um relacionamento amoroso com a chefe da quadrilha.

O transporte da droga, PCC e prisões

Em Mato Grosso, João Batista Vieira dos Santos, líder do PCC em Mato Grosso, alvo inicial da investigação do Gaeco, teve problemas com o primeiro fornecedor de drogas e então chegou até Cintia. Contudo, para negociar com ela, ele precisaria de um grande montante em dinheiro.

Para superar esse obstáculo, ele e seus comparsas começaram a roubar carros e levar até a fronteira com o Paraguai para trocá-lo por droga. Alternativa usada era financiar um carro, pagar somente a primeira parcela e então levá-lo para a fronteira sem o risco de ser preso por dirigir um carro roubado. Dois dos comparsas de João Batista acabaram presos nesse processo, Juliana Ribeiro de Paulo e David naves Alves.

No caminho inverso, da fronteira do Paraguai para Cuiabá, a droga também era levada em carros. A polícia fez três interceptações desses carregamentos, sendo que duas fizeram parte dessa operação. A primeira foi realizada em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, no dia 19 de janeiro, quando um Civic branco foi apreendido com uma carga de maconha. 

A segunda interceptação, essa já como parte da operação do Gaeco, aconteceu no dia 24 de janeiro, quando Cleriel Miranda da Silva foi preso em Rondonópolis com um carregamento de maconha paraguaia que deveria chegar a Cuiabá. Já a terceira, também feita em Rondonópolis, aconteceu no domingo 24 de março, quando o líder do PCC em Mato Grosso em pessoa, junto do responsável pela escolta Antônio Aparecido Nascimento Santana, e com o motorista Ruan Feitosa Pereira.

No mesmo dia, mas em Ponta Porã e horas antes, o carro em que Cintia Raquel Rivas Dias estava foi fechado por viaturas policiais enquanto fazia uma rotatória e ela foi presa. De acordo com o promotor Marco Aurélio, Cintia estava sem qualquer droga ou armas. “A droga nunca passava pela mão dela. Grandes traficantes ficam longe da droga”, explicou.

Prender Cintia primeiro foi uma estratégia do Gaeco para evitar uma fuga pela dificuldade de segui-la e a proximidade com o Paraguai. Depois dela foram presos os outros membros do grupo que atuavam na cidade fronteiriça. Marcio Marques Tomaz, um traficante de maconha e pasta base em Cuiabá, foi outro que deu dificuldades ao Gaeco para conseguir a prisão. Contudo, nesse caso o problema foi reunir provas, pois ele era extremamente discreto no uso de telefone.

Outros dois homens que fariam o transporte de drogas para a quadrilha já haviam sido presos no Pará enquanto carregavam pasta base. Leonel Lesmo e Adriano Alves de Souza teriam feito esse carregamento sem qualquer relação com a quadrilha de Cintia Raquel.

 

Da Redação - Jardel P. Arruda

COMENTÁRIOS

Data: 30/03/2013

De: cunha

Assunto: sera que todos sao culpados

a cintia nao tem nada a ver cm eses negocio nao e so xq ela e namorada de um deles ela ja esta sendo acusada nao e asim ela tem filhos e tomara q a justica seja feita mais cm uma inocete nao.

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