28/03/2015 - Falta de previsão estrangula crescimento do Araguaia

As deficiências no abastecimento de energia elétrica e as alternativas para ampliação da oferta no Araguaia foram temas de uma longa discussão na manha desta quinta-feira, 26.03, em Cuiabá. Provocados pelo deputado Baiano Filho (PMDB) e prefeitos da Associação dos Municípios do Araguaia (AMA), representantes da concessionária Energiza prestaram esclarecimentos sobre as ações para minimizar as constantes interrupções no fornecimento.

Segundo o diretor técnico da Energiza Alessandro Brum a alternativa mais otimista para o reforço do abastecimento seria a implantação de uma termelétrica em Vila Rica. Sob comando da iniciativa privada, a térmica levaria ainda cerca de um ano para entrar em funcionamento. Com a geração aproximada de 20 megawatts, a unidade aliviaria a sobrecarga garantindo a estabilidade do sistema. A Energiza trabalha na finalização dos custos para instalação do empreendimento, cujas regras de exploração serão definidas pelo Ministério de Minas e Energia e levarão em conta os custos com combustível e o valor dokilowatts de energia.

Outra alternativa é a duplicação da rede de distribuição partindo de Ribeirãozinho. A rede faz parte do sistema Teles Pires passando por Barra do Garças, Nova Xavantina chegando até Água Boa. A previsão de entrada em operação é para 2017, com fornecimento de 6 megawatts (MWe). Em paralelo, a ANEEL busca viabilizar a implantação de uma linha de transmissão de Paranatinga até Canarana. Após o fracasso de dois leilões em 2014, a agência realizará em julho a terceira sondagem de interessados na rede. A meta é de que a implantação seja finalizada até 2019.

Outro importante investimento é a instalação de um compensador sincro-dinâmico no município de Confresa. O equipamento no valor de R$ 63 milhões garantirá a estabilização do sistema, evitando oscilações. Sua instalação ainda levará cerca de um ano e meio. O Araguaia possui hoje uma demanda reprimida de 30 megawatts. A cada dia crescem as reclamações da classe produtora quanto a limitação energética e o impacto decrescente sobre a produção.

Iniciativas básicas à agricultura como a instalação de sistemas de irrigação e novos armazéns está comprometida. Investimentos em novos mercados como a piscicultura e a bacia leiteira eminentemente ligada ao incentivo à agricultura familiar, estão estrangulados. A baixa oferta energética também inviabiliza a geração de emprego e renda.

Para Baiano, a consolidação da região como grande produtora nacional está diretamente ligada a sua capacidade de gerir a produção, estando seu crescimento econômico condicionado a capacidade de beneficio e armazenamento de sua produção. “Energia elétrica é uma matriz básica, para garantir a qualidade de vida da população precisamos de energia, para garantir a gestão da produção também é fundamental que o fornecimento de energia acompanhe a demanda, não podemos estrangular nossa produção por falta de um item tão elementar, tão primário como a eletricidade”, defendeu Baiano Filho.

Participaram das discussões o presidente da AMA e prefeito de Confresa Gaspar Lazari, os prefeitos de Canabrava do Norte Valdez Viana e de Água Boa Mauro Rosa, secretário de Estado de Desenvolvimento Regional Eduardo Moura, além de técnicos ligados a Eletronorte e concessionária Energiza.

 

 

Naiara Martins

 

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