28/03/2016 - Ex-gestor teria pedido imóvel como 'presente'

28/03/2016 - Ex-gestor teria pedido imóvel como 'presente'

No depoimento prestado à Polícia Civil, o empresário Willians Paulo Mischur, dono da Consignum, revelou que foi obrigado a entregar um apartamento ao ex-secretário estadual de Administração Pedro Elias Domingos de Mello, preso preventivamente durante a terceira etapa da Operação Sodoma, deflagrada nesta semana. O imóvel, avaliado em R$ 180 mil, está localizado no bairro Santa Rosa, em Cuiabá. As informações foram divulgadas pelo jornalista Jacques Gosch, do Portal RD News.

Mischur, preso na segunda etapa da investigação e solto dias depois por determinação da Justiça, contou ao delegado Lindomar Toffoli, que coordena as investigações, que foi procurado por Elias no final de 2014. Ele era o elo entre o empresário e o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) no repasse de R$ 500 mil a R$ 700 mil mensais, exigidos para que a Consignum continuasse com o contrato com o Estado em vigor.

Nesta conversa, Elias teria dito que como não ficava com nenhuma parte da propina paga por Mischur e por ter sido “muito bom” com o dono da empresa, merecia receber o apartamento como forma de “presente”. Diante desta exigência, ele pegou um crédito que tinha com uma construtora e adquiriu o imóvel, de 60 metros quadrados, em uma área nobre da cidade, assinando o contrato de compra e venda que tinha o ex-gestor da Secretaria de Estado de Administração como beneficiário.

Depois da conclusão do negócio, Mischur repassou o contrato, em duas vias, para que Elias assinasse e o devolvesse, coisa que o ex-secretário nunca fez.

As tratativas ocorreram após, segundo Mischur, dois encontros mantidos por eles com o ex-governador, um no gabinete do político e outro na casa dele. Antes, ele repassava a propina ao também ex-secretário de Administração, Cézar Roberto Zílio. Em um destes encontros, Mischur foi questionado por Silval a respeito de quanto ele estaria repassando a Zílio mensalmente para a manutenção do contrato.

O empresário respondeu que aproximadamente R$ 500 mil. “O declarante [Mischur] percebeu que nessa época Pedro Elias era a pessoa usada por Silval para acompanhar e fiscalizar se as propinas estavam sendo repassadas de forma correta. Era o ‘fiscal da propina’”.

O segundo encontro, de acordo com Mischur, ocorreu no apartamento de Silval, ocasião em que ele foi informado que Pedro Elias, que participou do encontro, passaria a ser o responsável pelo recebimento dos valores, uma vez que o ex-governador estava “bravo com Cézar, que não estava sendo leal com ele”. A partir deste momento, o dono da Consignum passou a fazer os pagamentos mensais a Elias, situação que perdurou até o final do mandato de Silval, em dezembro de 2014.

Por conta destes cheques, Zílio foi preso em flagrante na segunda fase da operação. No entanto, por decisão da juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Santos Arruda, ele teve a detenção convertida em prisão domiciliar.

 

 

Gláucio Nogueira, repórter de A Gazeta

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