28/05/2012 - Polícia Militar exclui soldados que agrediram e roubaram R$ 10 mil em espécie de passageiro de ônibus

A última edição do Diário Oficial do Estado (DOE) publicou a exclusão de dois soldados da Polícia Militar acusados de agredir e ameaçar um suposto traficante que tentava comprar R$ 10 mil em drogas na Bolívia. 

O caso ocorreu em 2004, mas só agora encerrou-se o processo de demissão, instaurado em 2010, contra os soldados Carlos Mário Teixeira e Clayton Alves de Amorim. Ainda segundo o DOE, Clayton passou a desenvolver sintomas de esquizofrenia catatônica no ano seguinte à ocorrência que provocou a exclusão.

Conforme apurou o inquérito militar, em 15 de junho de 2004 os policiais, acompanhados do também soldado Benedito Ramos, abordaram, por volta das 16h, um ônibus da empresa Transjaó que transitava na rodovia federal BR-070 (que corta o Estado na direção Oeste, passando por Cáceres e levando à Bolívia). Eles determinaram que um dos passageiros, Gilberto Alberto Olbrischi, descesse do veículo para passar por uma revista pessoal.

Com Gilberto os policiais encontraram R$ 10 mil em espécie e passaram a agredi-lo fisicamente, com chutes e pontapés. Segundo o DOE, todos os policiais da guarnição participaram das agressões. Gilberto foi então colocado em um caminhão-baú do Grupo Especial Segurança de Fronteira (Gefron) e levado algemado a uma estrada de chão.

Na estrada, os policiais tomaram posse do dinheiro de Gilberto, retiraram suas algemas e o mandaram ir embora. Antes disso, disseram a ele que não era "para procurar a justiça" e "deixar isso quieto", caso contrário, eles iriam "até o inferno" para matá-lo, registra o DOE.

O inquérito depois constatou que parte do dinheiro estava escondida na casa de um irmão do soldado Benedito. Interrogados, os policiais alegaram que pegaram o dinheiro de Gilberto porque a quantia seria depois usada para comprar drogas na Bolívia. Ainda disseram que só não informaram isto ao comando do Gefron porque estavam tentando prender Gilberto em flagrante por tráfico de drogas.

Transtorno

Na apuração do caso, a polícia realizou exames psiquiátricos nos soldados Carlos Márcio e Clayton, que confessou sua conduta. Não foi constatada qualquer doença mental tampouco a ocorrência de qualquer estado mental que o fizesse perder a capacidade de interpretação do que fazia quando agrediu o passageiro abordado no ônibus. 

O mesmo foi constatado em relação a Clayton, embora, no ano seguinte à transgressão cometida (considerada grave), ele passou a desenvolver sintomas típicos de quadro de esquizofrenia catatônica, segundo a perícia realizada em 2007. Já existiam indícios do mesmo quadro clínico em outros membros de sua família. Ainda de acordo com o DOE, a doença de Clayton é irreversível e o torna total e permanentemente incapaz para qualquer função. 

Todavia, “seus sintomas iniciaram em 2005. À época dos fatos, 2004, não havia qualquer transtorno que o impedisse de entender claramente o caráter de seus atos e suas conseqüências legais, ou prejuízos em sua autodeterminação”, registra o DOE no texto que exclui Clauyton e Carlos Márcio da Corporação.

 

Da Redação - Renê Dióz

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