28/05/2014 - Irritado, Prado brada: "Querem jogar nosso nome na lama"

O procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, afirmou, nesta terça-feira (27), que a planilha contendo os nomes de 47 membros do Ministério Público Estadual (MPE), encontrada na casa do ex-secretário Eder Moraes se refere a vendas de  cartas de crédito. 

Segundo ele, foram pagamentos de férias vencidas, as quais o Estado não teria condições de pagar.

“Essa tabela refere-se a cartas de crédito de servidores públicos, que foram vendidas no mercado, porque o Estado não tinha condições de pagar”, disse.

 

Visivelmente exaltado, Prado socou a mesa em que estava, durante entrevista coletiva, e afirmou que os créditos listados foram negociados no mercado, com deságio de 25%, em 12 parcelas, junto à antiga Rede Cemat. 

“Nessa lista, existem procuradores, promotores de Justiça, com mais de 20 e 30 anos de Ministério Público, que não conseguiam gozar todas as suas férias porque o Estado não tinha como indenizá-los. Eles tiveram que fazer o quê? Irem ao mercado, como a maioria dos servidores, aceitarem um deságio e, depois, serem tachados de fazer parte de instituição criminosa? Não aceito isso!”, afirmou o procurador.

Prado explicou que não deu declarações anteriormente porque o processo estava correndo em segredo de justiça.

 

"Enxovalhar a honra"

Sem citar nomes, ele atacou o fato da procuradora da República Vanessa Scarmagnani, ter incluído, em denúncia do MPF contra o ex-secretário de Estado Eder Moraes e outros, a planilha com os nomes dos membros do MPE.

Prado disse que não irá aceitar que a honra da instituição, ou os nomes dos promotores, sejam manchados de forma "leviana e irresponsável”.

“São pessoas que enfrentam, através de ação civil pública e ação penal, todo o tipo de senhores e senhoras do poder, para depois, de forma leviana e irresponsável, verem seus nomes jogados na lama?”, disse.

“Os senhores conhecem todos nós, sabem quem nós somos, conhecem a nossa vida, sabem quem é quem nesse Estado. Agora, querer enxovalhar a honra do Ministério Público, nem que custe a minha vida e da minha família, isso eu não permitirei”, completou.

Suspeição

Afirmando que todas as cartas de crédito estavam devidamente documentadas e possuem origem lícita, Prado disse que não acredita que o ocorrido crime um “clima de suspeição” no Ministério Público Estadual.

Na denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) e aceita pela Justiça Federal, um trecho ressalta que “a referida planilha foi encontrada no mesmo local e circunstância da apreensão dos documentos que sugerem pagamento de propina a autoridades do Poder Executivo e Legislativo do Estado de Mato Grosso (notas promissórias, cheques, lista contábil de pagamento, operações bancárias e anotações de depósitos)”.

Segundo Prado, o fato de Eder Moraes possuir essa lista em sua casa é algo explicável, uma vez que ele ocupou o cargo de secretário de Estado de Fazenda.

“Eu acredito que na condição de secretário de fazenda ele tenha a lista de todos os servidores que negociaram para depois dar baixa nos créditos que o Estado teria que bancar de todos os servidores. Devem ter de muitas outras categorias, não só da nossa”, disse.

“Tropa de Choque”

Afirmando não ter qualquer relacionamento com Eder Moraes ou o empresário Junior Mendonça, Prado também negou que tenha sido chamado – ou o promotor afastado Marcos Regenold – pelo ex-secretário para “atrapalhar as investigações”, como consta nos autos do processo.

“Vocês acreditam nisso? Pelo amor de Deus, vamos fazer um raciocínio. Ele [Eder] estava interligado com o governador [Silval Barbosa]. Eu criei uma tropa de choque para investigá-lo. Agora a palavra dele vale mais do que esse núcleo todo que está investigando? No que vocês querem acreditar?”, questionou.

De acordo com Prado, todos os nove promotores do Núcleo de Patrimônio Público no MPE possui procedimentos abertos na esfera cível que investigam Eder Moraes, mas todos correm sob sigilo.

“Há vários procedimentos em andamento no MPE. Mas existe sigilo. Quebraram esse sigilo [da Operação Ararath], mas eu não vou quebrar o meu. [...] Eu autorizo a quebrar o meu sigilo telefônico, se nesses 14 meses eu falei mais de duas ou três vezes com o Eder Moraes. Eu não tenho nada a esconder. Ninguém aqui tem nada a esconder”, afirmou.

“Prova plantada”

Questionado se a existência dessa planilha seria uma forma do ex-secretário intimidar o MPE devido às investigações que possui em curso contra a sua pessoa, Prado afirmou que “nada nem ninguém vai impedir o MPE de continuar realizando o seu trabalho”.

“Essa tentativa de interligação não tem cabimento legal em tal circunstância. Não tem como nos intimidar. Uma instituição que propõe mais de 100 ações publica contra o homem mais poderoso no Estado de Mato Grosso vai se intimidar com quem?”, questionou.

Prado disse que, no momento, a única preocupação do MPE é quanto à “tentativa de enxovalhar a instituição”.

“Ninguém nem nada vai nos impedir de continuar realizando o nosso trabalho, seja contra quem for”, disse.

"Querem calar o MP"

Segundo Prado, a divulgação da lista no contexto em que foi feito, trata-se de uma tentativa de “calar” a instituição.

“Vocês conhecem os nomes que se encontram nessa lista. Da noite para o dia todas essas pessoas perderam o caráter, se venderam, passaram para o outro lado? E continuaram designados e propondo ações, entrando com medidas, defendendo a sociedade?”, questionou.

“Querem enfraquecer e calar o Ministério Público. Querem impedir o MPE de investigar e não vão conseguir. Querem nos acuar, mas não vão acuar a instituição. Não tenho medo de ninguém, nem de nada. Não são com palavras, com calúnias, com patifaria, que vão assustar o Ministério Público. Ninguém, nem nada, conseguirá calar o nome das pessoas que estão nessa lista. Começamos a investigar o patrimônio publico e aí aparece tudo isso? Ninguém é aqui é tolo ou infantil. Depois, serão vocês, da imprensa”, completou.

 

LISLAINE DOS ANJOS

 

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