28/09/2015 - Silvio envia mensagem preso e se identifica como “matupá” a servidora

"Bom dia amiga. Sou eu matupá. Preciso de sua ajuda para tirar meu passaporte". Essas foram as mensagens enviadas pelo ex-chefe de Gabinete de Silval Barbosa, Silvio Corrêa, à servidora da Casa Militar, Gisele Fonseca Bergamasco, quando ele já estava preso. Em depoimento ao Gaeco, ela contou que as três mensagens foram disparadas por meio do aplicativo Whatsapp em 24 de agosto, às 9h44.

 

Naquele mesmo dia, por volta das 12h, Silvio teria ligado à servidora pelo mesmo aplicativo. Contudo, ela afirmou não ter respondido às mensagens nem atendido à ligação. Na foto de perfil do aplicativa do ex-chefe de gabinete constava a imagem de Nossa Senhora Aparecida, conforme depoimento. Gisele alegou que desconhecia o apelido pelo qual ele se apresentou, apesar do número de telefone ser o mesmo usado por Silvio em outras oportunidades.

 

A servidora confirmou que trabalha na Casa Militar desde o governo de Blairo Maggi (PR), passando por Silval Barbosa (PMDB), e agora, com Pedro Taques (PSDB). Sua função no órgão é dar suporte a membros do governo para trânsito e documentação junto a Polícia Federal e outros órgãos para emissão de passaporte e visto.

 

Conforme depoimento, Gisele conheceu Silvio na gestão de Silval, quando ele era secretário especial do governador. Silvio a teria procurado no segundo semestre do ano passado para dar encaminhamento a um passaporte, e assim foi feito. Contudo, segundo a servidora, ele não o retirou, pois não apresentou a documentação necessária.

 

A informação sobre o envio das mensagens chegou a Coordenadoria de Inteligência da Casa Militar, que, imediatamente, procurou Gisele. A servidora disse ter confirmado a tentativa de contato e se colocou à disposição do órgão para elucidar o caso.

 

Prisão

Silvio foi preso durante a Operação Ouro de Tolo, juntamente com a ex-primeira-dama Roseli Barbosa. Eles são apontados como membros de uma organização criminosa que desviou recursos da secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social, que era comandada por Roseli.

 

Embora a afirmação de que Silvio enviou as mensagens quando já estava preso tenha sido feita pela juíza Selma Arruda, a assessoria da secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), explica que quando uma pessoa é presa, durante o trajeto, os aparelhos celulares ainda não são confiscados. Ao dar entrada, entretanto, todos os pertences são recolhidos.

 

Assim, se Silvio fez contato com a servidora de dentro do Centro de Custódia, o caso será averiguado pela Corregedoria. Por enquanto, o Judiciário ainda não notificou a secretaria sobre a situação, por isso, a tendência é que o contato tenha sido feito no trajeto até o sistema carcerário.

 

 

 

Eduarda Fernandes

 

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