28/12/2015 - Cuiabá é a capital que mais aumentou investimentos em 2015; 90% das capitais vão à lona e não investem mais

28/12/2015 - Cuiabá é a capital que mais aumentou investimentos em 2015; 90% das capitais vão à lona e não investem mais

A Prefeitura de Cuiabá é a que mais aumentou investimentos em 2015, entre as 27 capitais brasileiras. É o que revela reportagem publicada pelo jornal O Globo (Organizações Globo), um dos maiores doBrasil, publicada neste domingo (27), com base em dados na Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O prefeito Mauro Mendes (PSB) aumentou em quase 200% os investimentos da administração cuiabana, enquanto a segunda colocada, Goiânia (GO), incrementou 133,81%; e São Luís (MA), a terceira, chegou a 113,28%.

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Mauro Mendes só conseguiu manter os investimentos porque realizou duas reformas administrativas – a primeira em fins de 2014 com fusão e extinção de secretarias, além de demissão de servidores comissionados – e outra há dois meses. As medidas de austeridade resultaram em mais de R$ 40 milhões de economia anuais – quase metade do valor em investimentos.
 
A reportagem do Olhar Direto apurou que, de quebra, 
Mendes contou com apoio irrestrito do governador José Pedro Taques (PSDB), que aportou mais de R$ 50 milhões para a construção do novo Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá, e, ainda, contribuiu decisivamente para financiar o funcionamento do novo Hospital São Bendito – exclusivo para cirurgias e alta complexidade.
 
A reportagem de O Globo revela que, faltando menos de um ano para as eleições municipais, o desejo de muitos prefeitos era estar com canteiros de obras a pleno vapor para as inaugurações em 2016.  Mas a crise econômica atingiu em cheio esses planos e nas grandes cidades, que, em tese, seriam menos vulneráveis à recessão, já é possível constatar que os investimentos despencaram até 90% este ano.
 
Natal (RN), 90%; Curitiba (PR), 63%; e Vitória (ES), 46%; foram as capitais que mais reduziram investimentos, neste ano. “O pouco recurso disponível em caixa está sendo canalizado para despesas obrigatórias como a folha salarial, e algumas capitais admitem que deverão fechar o ano com déficit”, explicou a reportagem, disponibilizada na versão impressa de O Globo.
 
Relatórios entregues pelos prefeitos das capitais ao 
Tesouro Nacional no início deste mês revelam que 14 das 22 prefeituras que apresentaram seus balancetes fiscais investiram menos este ano do que em 2014. Das grandes cidades, a prefeitura do Rio é exceção e está no grupo das que ampliaram o ritmo, apesar do cenário econômico, graças aos Jogos Olímpicos Rio-2016.
 
A desaceleração atingiu prefeituras de todos os portes. Na capital potiguar, o prefeito e candidato à reeleição Carlos Eduardo (PDT) aplicou até outubro R$ 35 milhões em investimentos — 10% do valor de 2014. Os números se repetem na 
Curitiba do prefeito Gustavo Fruet (PDT), também no primeiro mandato. Em Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) aplicou em obras e compras de equipamentos, até outubro, R$ 491 milhões contra R$ 846 milhões no mesmo período do ano passado.
 
“Os investimentos estão desabando este ano por causa da queda da arrecadação. Para ver como a situação é preocupante em todo o país, nos estados e no governo federal a queda é ainda maior”, disse o economista e especialista em contas públicas 
Raul Velloso, ouvido pela reportagem.
 
Gasto com pessoal sob alerta 
 
Campo Grande (MS) vive situação ainda mais complicada. Alvo de uma crise política, além da econômica, a cidade está pagando salários parceladamente desde meados do ano. Ainda reduziu em 30% os investimentos, e o prefeito Alcides Bernal (PP), que ficou afastado do cargo por um ano e meio, pode fechar as contas no vermelho. No vermelho também está o gasto com pessoal no município. Cerca de 55% do que o governo arrecadou este ano foi para pagar salários.
 
A prefeitura está infringindo a Lei de 
Responsabilidade Fiscal, que limita a 54% da receita corrente líquida o gasto com pessoal. Isso se repete em São Luís.
 
No atual mandato, nunca a luz amarela referente às despesas com funcionário acendeu para tantos prefeitos de capitais. Onze ultrapassaram em outubro o limite de alerta imposto pela legislação (quando o gasto fica acima de 48,6% da 
receita).
 
Mais da metade das cidades avaliadas ampliou a folha de pagamento desde 2013. Essa expansão pode ter motivos além da crise.
 
Para o analista em Finanças Públicas Fábio Klein, a situação em 2016 pode ser ainda pior para os orçamentos municipais por causa do ano eleitoral.
 
“Há uma tendência dos governos de produzirem uma expansão dos gastos em ano eleitoral. Como muitos municípios vão começar 2016 já numa situação delicada, por causa do que aconteceu em 2015, isso vai exigir dos gestores um controle maior dos gastos, um desafio em ano de eleição”, disse Fábio Klein.
 
De olho nesse cenário, a Fipe preparou para janeiro o curso inédito para gestores municipais “Como enfrentar a crise financeira nas prefeituras”.

 

Veja quadro: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Redação - Ronaldo Pacheco
 

 

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