29/01/2012 - Bradesco terá que indenizar repórter fotográfico em R$ 8,5 mil por espera em fila do banco

O banco Bradesco foi condenado a indenizar o repórter fotográfico Vilson José de Jesus no valor de R$ 8.463,73, por ter feito o mesmo esperar na fila do caixa interno por aproximadamente três horas. O processo é do ano de 2011 e a decisão saiu no dia 18 de janeiro.

Vilson contou que foi ao banco para fazer um saque para cobrir outra conta que possuía em outro banco. Ele chegou por volta das 14 horas e esperou cerca de três horas para ser atendido. Com isso, acabou perdendo o prazo para depositar o dinheiro sacado na outra agência, o que lhe gerou desconforto e prejuízos. “Fiquei muito irritado, me senti humilhado, rebaixado, reclamei muito. Inicialmente pensei em ir ao Procon, depois decidi acionar a Justiça com um advogado particular”, explicou.

Ele contou que juntou o comprovante do estacionamento assim como a senha de atendimento do banco, na qual fez com que o caixa carimbasse o horário em que foi atendido. Juntada a documentação, deu entrada no processo. A advogada Nadir Blemer de Carvalho, que representa Vilson de Jesus, como é conhecido no meio profissional, defente o repórter fotográfico em outras oito ações judiciais, nas quais ele reclama por seus direitos. “São direitos sobre fotografias, extravio de bagagem e outras”, completou.

Sobre a ação que ganhou, Vilson afirmou estar se sentindo bem, justiçado. “Esperava um pouco mais, mas o importante é que foi favorável. Estou bem”, concluiu.

A advogada Nadir Blemer de Carvalho explicou que atualmente, com a criação da Turma Única Recursal, os processos foram agilizados e acabou sumulando o entendimento de que a “demora em demasia na fila de banco, aguardando atendimento, pois afronta a dignidade, revela desrespeito, descaso e falta de atenção com o consumidor” gera dano moral. “Essa é a súmula 17 da Turma Recursal Única”, explicou.

No caso de Vilson, a advogada explicou que como já há súmula sobre o fato, o banco poderá até recorrer, mas bem provável que o recurso não seja aceito. 

Nadir Carvalho ressalta que as pessoas devem procurar os seus direitos quando são desrespeitadas, com o é caso do repórter fotográfico. “Tem que procurar, não se inibam. Muitas vezes as pessoas ficam com medo, mas é preciso superar. Entrando com ações de danos morais estamos contribuindo para o aprimoramento da Lei do Consumidor. Não é uma indústria de danos morais, estamos fazendo valer o nosso direito de cidadão. O tempo para o banco é dinheiro e para o consumidor também é”, concluiu.

 

Da Redação - Daniele Danchura

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