29/01/2015 - Estudantes e políticos protestam contra aumento da passagem

Aproximadamente 150 pessoas, segundo informações da Polícia Militar, percorreram as principais ruas do Centro de Cuiabá, no fim da tarde desta quarta-feira (18), em protesto contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo, que passou dos R$ 2,85 para os R$ 3,10 no início desta semana.

A manifestação reuniu estudantes, sindicalistas, movimentos sociais e os vereadores Allan Kardec e Arilson da Silva, ambos do PT.

Com gritos contra o prefeito Mauro Mendes (PSB), os manifestantes caminharam da Praça Ipiranga, local de concentração, seguindo as avenidas da Prainha e Getúlio Vargas e a Rua Barão de Melgaço.

De acordo com o representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMT, Harikan Heven, o movimento foi articulado para chamar a atenção, especialmente das várias pessoas usuárias do transporte coletivo que se encontravam ao longo da caminhada.

O objetivo, segundo Heven, é que as pessoas se unam contra o "abuso" que é o atual preço da tarifa. 

Atualmente, Cuiabá figura entre as três cidades com a tarifa do transporte coletivo mais cara do país. 

“Já fizemos várias mobilizações na universidade e em frente à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), onde ocorreu a reunião do Conselho de Transportes que definiu a tarifa. Agora, viemos aqui para chamar a população a se juntar a nós nessa luta que é de todos. Queremos que todos digam não contra o reajuste da tarifa, que é uma das mais caras do país”, afirmou.

Para ele, é preciso combater não somente o reajuste da tarifa, mas todo o sistema do transporte público em Cuiabá e construir um novo modelo em que a prefeitura se torne responsável pelo setor. 

“Nós sabemos que o aumento é algo do sistema e queremos um debate sobre isso. Queremos criar um modelo de transporte em que a prefeitura arque com os custos do setor, pois os empresários só trabalham com a lógica do lucro, e nós queremos mudar isso. Queremos que o transporte seja verdadeiramente público, inclusive, com uma tarifa zero”, disse.

Heven citou como exemplo a cidade de Maricá, no Rio de Janeiro, que instituiu a Tarifa Zero no transporte público, a partir da criação da Empresa Pública de Transportes. 

“Se eles conseguiram, nós também podemos. Basta de conversa, análises, estudos e um prefeito que esteja preso às amarras dos empresários”, afirmou.

Para o vereador Arilson Silva, a manifestação traz à tona, ainda, a insatisfação não somente com o valor da tarifa, mas com a qualidade do serviço prestado, que hoje é considerado insatisfatório por toda a população usuária. 

Ele afirmou que as reclamações da população dizem respeito às condições dos veículos que são colocados em circulação, sendo muitos antigos, quebrados, sucateados e sem ar condicionados, além da ausência dos abrigos nos bairros ou com problemas estruturais e as condições de trabalho dos próprios motoristas, que reflete no atendimento ao passageiro.

“Nós somos contrários e precisamos discutir as condições em que o cidadão recebe esse serviço. Se olharmos para a realidade, é injusto este aumento. Nós estamos juntos nessa luta, que é, acima de tudo, por dignidade”, disse o parlamentar.

Legalidade do reajuste 

De acordo com Arilson Silva, a partir do início dos trabalhos parlamentares, será proposta uma discussão sobre a legalidade da aprovação da tarifa por parte do Conselho Municipal de Transportes (CMT).

Isto porque o estudo do cálculo tarifário que apontava uma tarifa de R$ 3,10 foi aprovado pelo CMT, no último dia 16, apesar da ausência do vereador Haroldo Kuzai (PMDB), representante da Câmara Municipal.

O conselho reúne 17 entidades, entre elas, a Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (AMTU), a Associação dos Usuários de Transporte Coletivo do Estado (Assut) e a Secretaria de Mobilidade Urbana.

“Nós vamos discutir a legalidade, já que essa reunião do conselho ocorreu durante recesso parlamentar e escolar. O vereador Haroldo estava viajando e não pôde votar no conselho. Queremos saber se essa votação é valida”, afirmou.

O vereador Allan Kardec apoiou o colega de partido e disse que vai discutir não somente a validade da aprovação do conselho como também a proposta feita pelo prefeito Mauro Mendes, no ano passado, referente ao "Pacote de Transporte", que previa a reforma e construção de abrigos e discussão sobre a licitação das empresas do setor.

“O conselho puxou essa reunião às escuras. O mínimo que o prefeito deveria ter feito era esperar que voltassem as atividade e o trabalho na Câmara e colocar isso em discussão”, disse.

Além disso, o vereador informou que vai acionar o Ministério Público do Estado (MPE) para que a tarifa seja reduzida e que seja realizada uma nova análise sobre a planilha do cálculo tarifário.

Em 2013, a análise culminou na redução de R$ 0,14 da tarifa a titulo de compensação devido à constatação de que os usuários pagaram a mais pelos serviços prestados.

“A memória do cálculo está guardada com o MPE. Antes de terminar de valer essa compensação, o prefeito resolveu sancionar esse aumento. Vamos recorrer ao MPE para baixar esse valor. Queremos uma nova licitação, pois o prefeito é aliado desse grupo de empresários. Queremos clareza quanto ao que pagamos e recebemos”, completou.

O protesto durou quase 1 hora e a manifestação foi acompanhada por 10 agentes de trânsito, que ficaram posicionados nas praças Ipiranga e Alencastro e ao longo da caminhada. 

Outros 30 policiais militares, inclusive, alguns infiltrados à paisana na manifestação, estiveram monitorando o protesto, que terminou pacificamente.

“Apesar de não termos sido avisados sobre essa caminhada e os estudantes evitarem falar conosco, tudo correu tranquilamente”, disse o coronel PM Rhaygino Setúbal.

Outro lado

A reportagem não conseguiu contato com o prefeito Mauro Mendes.

 

 

Karine Miranda 
Da Redação

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