29/04/2015 - Ex-marido de juíza afirma ter ‘perdido a cabeça’ no dia do crime

O enfermeiro Evanderly de Oliveira Lima, de 45 anos, acusado de assassinar a juíza Glauciane Chaves de Melo, afirmou ter cometido o crime por ter "perdido o controle da situação". 

O homicídio ocorreu em junho de 2013, dentro do Fórum de Alto Taquari (479 km ao Sul de Cuiabá).

A afirmação do ex-marido da juíza foi feita durante o seu julgamento, que acontece em em Alto Araguaia (415 km ao Sul da Capital) desde às 8h desta terça-feira (28). O julgamento é presidido pelo juiz Carlos Augusto Ferrari.

O interrogatório durou aproximadamente duas horas e meia. No início do depoimento, ele se emocionou e chegou a chorar.

"Em momento algum eu entrei no Fórum para executar a juíza. Naquele dia, perdi a cabeça. Ajoelhei aos pés dela. Ela se exaltou, me chamou de fracassado, de gigolô e disse que eu não tinha dignidade", afirmou o acusado. 

Em seguida, Evanderly afirmou que, na época, não estava bem psicologicamente por conta da separação.

"Hoje sinto falta dela, falta da felicidade. A pior prisão é a sentimental, não consigo esquecer e nem parar de pensar nela", disse.

De acordo com o réu, no dia do crime ele foi ao Fórum para mais uma tentativa de reconciliação. Contudo, a juíza teria dito que já estava em outro relacionamento e, por isso, ambos começaram a discutir. 

"Ela disse que não tínhamos mais nada a conversar e que eu poderia me retirar da sala. Perdi a cabeça, perdi o controle e efetuei dois disparos. Não foi por amor. Ela me rebaixou, me senti um inútil ali", disse.

Questionado pelo magistrado que preside o Tribunal do Júri se estava arrependido, o réu afirmou que sim.

"Eu me arrependo demais. Penso em minhas filhas, minha família e na família dela. Imagino a dor e o sofrimento da dona Lourdes, mãe da Glauciane. Peço perdão a ela pelo que eu fiz, pela dor que estou causando. Estou aqui e vou ter que pagar pelo meu erro, custe o que custar", disse.

No fim do interrogatório, Evanderly acrescentou que, se pudesse voltar no tempo, agiria de uma forma diferente.

"Nada vai trazer a vida dela de volta, é uma perda irreparável", afirmou.

O caso

O assassinato ocorreu em junho de 2013, na sala de audiências do Fórum da Comarca de Alto Taquari, local onde a juíza Glauciane Melo atuava.

O acusado, que foi casado com a juíza de 2004 a 2012, disparou três tiros contra a magistrada, tendo acertado dois na nuca.

Após o crime, ele fugiu e foi preso três dias depois em uma região de mata, na zona rural de Alto Taquari.

Durante a fuga, Lima, que já foi bombeiro militar e atuava como enfermeiro, utilizou roupas camufladas e capim seco, durante o dia. À noite, ele andava para não ser localizado pelos policiais.

À época, quando foi ouvido na delegacia, Evanderly utilizou seu direito de permanecer calado e só falar em juízo.

Informalmente, em conversa com o delegado, afirmou que, no dia do assassinato, tinha ido até o fórum para conversar com a magistrada, pois não concordava com a separação e queria reatar o casamento.

 

 

 

Da Redação

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