29/05/2014 - Alvo da PF afirma que foi à casa de Mendes pegar nota

O empresário Júnior Mendonça, elo central do suposto esquema de lavagem de dinheiro em Mato Grosso, revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que, em 2012, foi até a casa do então candidato a prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB).

Segundo ele, o motivo da visita foi pegar uma nota promissória, referente a empréstimo de R$ 3,45 milhões.

Mendonça disse que o empréstimo, obtido junto à Amazônia Petróleo, de sua propriedade, foi feito durante a campanha eleitoral, com cobrança de juros de 1,5% ao mês. 

Ele disse, também, que fez o depósito em uma conta corrente de Mendes (pessoa física), para ficar caracterizado que não se tratou de doação de campanha. 

Segundo ele, Mendes prometeu de fazer o pagamento tão logo recebesse os valores referentes à venda da Mineradora Casa de Pedra, da qual é sócio.

Mendes teria dito ao empresário que a venda da mineradora foi feita a uma empresa do ramo de cimento e que, assim que recebesse o dinheiro referente a 50% do negócio, quitaria a dívida. 

À Polícia Federal, no entanto, Mendonça garantiu que, até o mês passado, o prefeito de Cuiabá não pagou o empréstimo.  

Em julho de 2013, a Prefeitura de Cuiabá contratou a mesma Amazônia Petróleo, por R$ 3,7 milhões, em caráter emergencial e com dispensa de licitação. 

Buscas

No último dia 20, a Polícia Federal fez buscas e apreensões no Palácio Alencastro, sede do governo cuiabano, e na residência de Mendes, no Jardim Itália.

 

A Secretaria de Comunicação divulgou, no mesmo dia, nota à imprensa. 

Confira, na íntegra:

"Acerca do cumprimento de mandado de busca e apreensão ocorrido nesta terça-feira (20.05) no gabinete do prefeito Mauro Mendes e em sua residência, o prefeito de Cuiabá vem a público esclarecer o que segue:

01) A busca e apreensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi cumprida para verificar documentos sobre um empréstimo que Mauro Mendes tomou da empresa Amazônia Petróleo em 2012, no valor de R$ 3.450.000,00.

02) Este empréstimo, ainda não liquidado, está devidamente informado por Mauro Mendes à Receita Federal nas suas declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física dos anos de 2012/13 e 2013/14. Portanto uma operação formal e transparente. 

03) A busca e apreensão também buscou informações sobre um contrato para fornecimento de combustíveis à prefeitura de Cuiabá pela empresa Amazônia Petróleo, celebrado em 1 de agosto de 2013.

04) A referida contratação ocorreu pelo critério do menor preço e visou evitar a interrupção do abastecimento da frota de veículos da municipalidade, entre eles ambulâncias, caminhões e máquinas responsáveis pelas obras e limpeza da 
cidade, entre outros, uma vez que não foi possível concluir licitação convocada anteriormente para este fim.

05) A contratação foi necessária, legal, emergencial e durou apenas quatro meses, resultando em economia aos cofres públicos municipais, já que os preços contratados foram menores que os da licitação anterior, realizada em 2012:

06) Assim que nova licitação foi realizada, cuja vencedora foi a empresa Castoldi Posto 10, o referido contrato emergencial com a Amazônia Petróleo foi encerrado, em 28 de Novembro de 2013.

07) Todas estas informações poderiam ter sido fornecidas ao Ministério Público, Polícia Federal e Justiça Federal, caso tivessem sido solicitadas, o que torna a medida de busca e apreensão totalmente desnecessária.

08) O prefeito Mauro Mendes apoia as investigações da Operação Ararath, e anuncia que, embora não tenha sido intimado a comparecer à Polícia Federal, encaminhará espontaneamente à Justiça todos os documentos que comprovam as afirmações, por serem a expressão da verdade.

 

DA REDAÇÃO

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