29/05/2014 - Filho de ex-conselheiro recebeu depósitos de alvo da PF

As investigações da Polícia Federal indicam que os filhos do ex-conselheiro Alencar Soares, do Tribunal de Contas do Estado, teria sido usado para receber parte do dinheiro destinado a suposta “venda” de sua vaga ao então deputado estadual Sérgio Ricardo, atual conselheiro no TCE-MT.

Segundo documentos e anotações apreendidos, o valor da vaga teria sido de R$ 4 milhões.

Nas buscas e apreensões, da Operação Ararath, a PF encontrou e-mails de Leonardo Valoes Soares, filho de Alencar, ao empresário Júnior Mendonça, suposto operador do esquema de lavagem de dinheiro em Mato Grosso.

Um dos e-mails de Leonardo, datado de 16 de março de 2010, indica três contas correntes para depósitos: uma em nome dele próprio, com a indicação de R$ 38.000,00, e outra em nome de Leando Valoes Soares, com a indicação de valor de R$ 12.000,00 a ser depositado". 

Email enviado por Leando Soares a Júnior Mendonça, indicando contas para depósitos:


De acordo com a documentação apreendida pela PF na residência do pai de Júnior Mendonça, no dia 01 de abril de 2010, o empresário investigado recebeu outro email de Leandro Soares. 

Desta vez, a mensagem indicava os dados bancários do ex-conselheiro, para outro depósito. A transferência foi realizada no mesmo dia, conforme comprovante de transferência apreendido.

Segundo o inquérito da Polícia Federal, Júnior Mendonça, sob orientação do então secretário de Estado Eder Moraes, usou outras contas para “ocultar a origem e natureza dos recursos”. 
Uma delas teria sido a da empresa Paz Administradora de Ativos Ltda, cujos comprovantes indicam o recebimento de R$ 2,5 milhões.

Outro email indicando número de conta; ao lado, o comprovante do depósito:


De acordo com as cópias de comprovantes obtidos pela Policia Federal, foram realizados vários depósitos em cheques, em 2009: R$ 300 mil, no dia 02; R$ 200 mil no dia 03; R$ 250 mil no dia 08; e R$ 1,75 milhão no dia 11. 

Um outro depósito, no valor de R$ 250 mil, teria sido realizado no dia 08 de dezembro de 2009.

A "venda"

O ministro Dias Tofolli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou em sua decisão, que autorizou a prisão de Eder Moraes e do deputado José Riva (PSD), que documentos apreendidos pela Polícia Federal, e as declarações do empresário Júnior Mendonça, comprovariam o pagamento de R$ 4 milhões para a compra da vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado.

Por meio de “delação premiada”, para reduzir sua eventual pena perante a Justiça, Mendonça contou que, em 2009, o então governador Blairo Maggi (PR), obteve dele, por meio de Eder Morais, R$ 4 milhões para pagar o então conselheiro Alencar Soares.

Alencar Soares - que também teve sua casa alvo de busca e apreensão - teria recebido o dinheiro das mãos de Júnior Mendonça, a pedido, e na presença, de Eder Moraes, que, por sua vez, agiria “no interesse e a mando de Blairo Borges Maggi”.


Segundo os autos, Sérgio Ricardo, então deputado estadual, já teria pago R$ 4 milhões a Alencar, pra que ele deixasse a vaga.

O repasse de Mendonça a Alencar Soares teria servido para que ele pudesse devolver a Sérgio Ricardo os R$ 4 milhões anteriormente dele recebidos – e, alegadamente já gastos. 

O pagamento dessa segunda vantagem foi feito pela empresa Globo Fomento Ltda., de Júnior Mendonça. 

Extrato de depósitos à Paz Administradora de Valores: R$ 1,75 milhão:


 


“Cachorro-grande”

Em depoimento, Júnior Mendonça alegou que soube do contexto da venda da vaga ainda no gabinete do conselheiro Alencar Soares, tendo entregue a ele um cheque de R$ 2,5 milhões para “quitação do empréstimo”. 

Segundo Mendonça, Maggi teria assumido o compromisso de quitar o empréstimo posteriormente.

Às autoridades, Mendonça disse que “este compromisso de Blairo Maggi a Alencar ocorreu durante viagem que fizeram, no ano de 2009, à África do Sul". 

Segundo ele, durante a viagem, Maggi teria questionado a Alencar o motivo de estar saindo do TCE, antes de sua aposentadoria. 

Alencar teria relatado a Maggi que já teria recebido, como adiantamento, um pagamento parcial, de R$ 2.5 milhões, do então deputado Sérgio Ricardo, bem como já teria gasto o valor. 

Junior contou que somente ficou sabendo desse contexto do empréstimo já no gabinete, e na frente, de Alencar Soares. E que se sentiu “desajeitado”, pois viu que estava entrando em uma “briga de cachorro grande” e, por isso, entregou o cheque.

 

DA REDAÇÃO

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