29/09/2014 - “Em MT, não tem um candidato ao Governo que se salve", diz ator

"Eu acho que a política é um prato cheio para nós humoristas. É uma palhaçada. E os grandes palhaços não são os políticos, somos nós eleitores. Essas pessoas são nossos empregados. A gente as coloca lá para elas melhorarem a nossa vida, mas elas chegam e querem melhorar apenas a vida delas e da família delas".

A afirmação é do ator cuiabano André D'Lucca, 38 anos, que faz sucesso no meio artístico com a impagável e desbocada personagem "Almerinda", famosa pelo veneno que destila, principalmente contra os políticos. Os alvos, nas apresentações que o ator faz, no Cine Teatro Cuiabá e nas redes sociais, são os candidatos a governador do Estado.

D'Lucca - por extensão, o personagem que ele vive no palco - tem uma opinião formada sobre os postulantes ao comando do Palácio Paiaguás: "Em Mato Grosso, não há um candidato que se salve".

À exceção de Pedro Taques (PDT), todos os candidatos participaram do espetáculo "Almerinda Govervadora - Por um Estado Rico", que já levou cerca de 2 mil pessoas ao teatro. 

"(...)  sobre isso, eu analiso que o Muvuca tinha razão sobre o Pedro: ele é um fujão", diz o ator

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, o ator também dispara contra o governador Silval Barbosa: "Eu não entendo como Silval chegou ao poder. Esse homem sai de um buraco de um garimpo e do nada brota como governador de Mato Grosso. E a população compra a ideia".

Ator há 24 anos, André D’Lucca tem dividido sua vida nos últimos 10 anos com Almerinda, sua personagem mais famosa e que, agora, é "candidata" a governadora. 

Entre piadas e risadas da plateia, o ator crítica problemas sociais pelos quais a população passa diariamente: a falta de transporte público de qualidade, de Educação, Saúde, Segurança e Saneamento Básico. 

O segredo do sucesso, diz ele, na entrevista, é “mais velho que andar pra frente”. . 

D’Lucca também aproveitou para relembrar a polêmica em que foi processado pela primeira-dama do Estado, Roseli Barbosa, e falou ainda sobre os esquemas de desvio na Secretaria de Cultura, desbaratados pela Polícia Civil, por meio da Operação Alexandria. 

Confira os principais trechos da entrevista com o ator André D’Lucca:

MidiaNews – Como você avalia a política em Mato Grosso e no Brasil?

André D’Lucca –
 
Eu acho que a política é um prato cheio para nós humoristas. É uma palhaçada. E os grandes palhaços não são os políticos, somos nós eleitores. Essas pessoas são nossos empregados. A gente as coloca lá para elas melhorarem a nossa vida, mas elas chegam e querem melhorar apenas a vida delas e da família delas. Quando, na verdade, estão lá pelo coletivo. E isso é assim, e vai ser assim enquanto não tomarmos uma atitude. Nesse momento, esse cenário político aqui em Mato Grosso, por exemplo, não tem um candidato que se salve. Nenhum. Ninguém ali representa o novo. Eu vi no programa [do ex-candidato] José Riva falando que ele era o novo. Eu juro que eu vi. Desde quando ele representa o novo? Riva está no poder antes mesmo de Jesus assumir...

Aí vem, por exemplo, Pedro Taques (PDT) falar que representa o novo. Desde quando, se ele usa técnicas antigas de fazer política, se ele se aliou a todo mundo. A Antero, por exemplo, que fez a campanha para Wilson Santos, em que ele dizia que no governo dele ele teria “mania de educação”. Tenho ouvido isso na boca de Taques. E o povo cai nas mesmas armadilhas. Que o Pedro é uma boa ou má pessoa, eu não sei. Ninguém é 100% bom e nem 100% ruim. Todos nós temos nosso lado de luz e sombra. Mas eu não consigo ver tudo isso e ficar de bico calado. Eu vejo ele usando práticas antigas da velha política, eu vejo ele se aliando a pessoas que ele metia o pau na última eleição e, agora, são melhores amigos. Isso é político macaco velho que faz: “Nessa eleição nós somos inimigos, mas na eleição que vem vai ser conveniente nos unirmos, então vamos. Você é bandido, mas não tem problema. Eu preciso de você bandido do meu lado pra chegar ao poder”.

O Lúdio... Todo mundo diz que é um cara ótimo, que é bom médico e nunca ouço dizendo que Lúdio desvia ou rouba. A maioria das pessoas fala que ele é um cara direito. Mas ele não vai governar sozinho. E que equipe vai governar com ele? Basicamente, as pessoas que estão agora o apoiando para ele chegar no poder. Porque, quando ele chegar no poder, ele não vai dar um pé na bunda dessas pessoas. Ele vai ter que distribuir cargos para essa gente. Onde ele vai pôr o Carlos Bezerra (PMDB)? Onde vai pôr o Silval Barbosa (PMDB)?

Aí vem José Roberto (PSOL), que não consegue concatenar uma ideia no debate. Como esse homem vai governar? Aí vem Muvuca. Já começa pelo nome do cara. Com ele, para de vir recursos para Mato Grosso. O povo vai falar que é uma bagunça. Aí na campanha ele vai arrecadar, triplicar não sei quantos milhões... Ele não conseguiu arrecadar pra campanha dele. Consegui R$ 10 mil. Sabe, o discurso não casa com a prática. 

Pedro Taques fala que é um homem de bem não pode se silenciar, mas ele não quer falar com Almerinda. Ele fala que me adora, me admira e eu fui aluno dele no curso de Direito. Desde sempre, há essa fama dele ser arrogante. E isso não sou eu quem estou inventando não. Diziam que ele se achava, que só não tinha tamanho, escapou de ser anão por 10 centímetros...(risos).

MidiaNews - Você está falando do programa “De frente com Almerinda”, em que todos os candidatos já foram entrevistados, menos ele, que não aceitou?

André D’Lucca – Exato. Nunca tive problemas com Pedro. A gente se encontra, o Pedro é muito simpático sempre, sempre elogia meu trabalho, sempre fala que entende meu papel na sociedade. O discurso é esse. Mas, na prática, não casa. Em 2010, ele me chamou pra campanha dele ao Senado. Ele queria que tivesse humor e a assessoria falou comigo na época. Preparamos um piloto. Um dia escrevendo roteiro, um dia gravando, uns dois dias editando, faz reunião, aprova, pega uma foto minha trabalhando e coloca na mídia social. Aí eu pergunto quanto seria o cachê. Aprovou o programa e me chamaram, falaram que estavam sem arrecadação e precisaria que eu trabalhasse de maneira voluntária porque no futuro... Eu disse não. Eu vivo o agora. Nem sei se no futuro vou estar vivo. Pensei: o Pedro tem o salário dele de procurador, vai ter o salário dele de senador, e não é pouco. Por que eu, como artista, não mereço receber? Ninguém estava trabalhando ali de graça. E, depois, eu soube que a campanha tinha sido milionária. Por que não podia me pagar um cachê de R$ 10 mil, R$ 15 mil ou R$ 20 mil? Um cachê decente, pra eu ser valorizado. Então quer dizer, não pode me pagar, nesta eleição não pode me dar uma entrevista e falar 15 minutos comigo. Conta outra... Se agora ele está falando um não, imagina quando for governador. Provavelmente, na primeira piada que eu fizer sobre ele e Samira [Martins, esposa de Taques], vou levar um processo. 

MidiaNews - E como você analisa a postura de Pedro Taques, como candidato, de se rejeitar a fazer algo até simples? 

André D’Lucca –
 Enfim, sobre isso eu analiso que o Muvuca tinha razão sobre o Pedro: ele é um fujão. É um fujão cheio de frases prontas. Se você estudar alguns filósofos, vai ver que ele suga algumas frases de impacto deles. Ele dá uma maquiada, muda uma palavra ou outra, e tem coisas que estão quase ali, no pé da letra. 

MidiaNews - Mas, o doutor José Roberto também não aceitou falar com Almerinda, né?

André D’Lucca –
 É, ele disse que não quer falar. Eu achei até melhor não. Mesmo porque a entrevista ia começar assim: [voz de Almerinda] “José, você é doutor da onde? Lê esse papel aqui pra mim”. Seria a oportunidade dele mostrar que é alfabetizado...

MidiaNews – Como você avalia a gestão do governador Silval Barbosa (PMDB)?

André D’Lucca 
– Primeiro, que eu não entendo como Silval chegou ao poder. Esse homem sai de um buraco de um garimpo e do nada brota como governador de Mato Grosso. E a população compra a ideia. Por quê? Porque Blairo “Mágico” [Maggi, ex-governador, atual senador] faz um grande truque e vende o Silval como a salvação. O povo compra. É exatamente o que está acontecendo neste momento. E Blairo Mágico está por trás. 

A gente falava das velhas práticas políticas. As pesquisas, por exemplo. É claro que elas são compradas. Eu lembro que, na última eleição pra prefeitura de Cuiabá, quando a disputa polarizou entre Lúdio e Mauro, alguém ganhava em primeiro turno, segundo as pesquisas. Quando abriram as urnas, era outra realidade. Não tinha aquela diferença gritante de um levar no primeiro turno. Então, é assim: Pedro deve estar comprando pesquisa. Não é possível. Sai uma pesquisa hoje em que ele está lá na frente, amanhã sai de outro instituto que não tem nada a ver. Impossível esses números não baterem. 

Mas enfim... Sobre a administração Silval: ela é desastrosa. Silval pode entender de garimpo, mas ficou claro que ele não entende de administração pública, nem de plural. Já ficou claro. É um péssimo governador, é mentiroso. É o tipo de cara que você não pode acreditar em uma palavra do que diz. Mesmo porque, se pudesse, o VLT estava funcionando, a Copa teria sido maravilhosa, essas obras não estavam desabando.

Outra coisa sobre obras. O Pedro Taques diz que é super-ético, carrega o discurso de ser anticorrupção. E vi ele na TV pedindo votos para o Fábio Garcia (PSB), que é filho de um empreiteiro responsável por várias obras da Copa, que foram mal feitas, superfaturadas e estão desabando. Onde está o novo? Voltando ao Silval... foi um erro. Ainda bem que a população acordou. Eu, por exemplo, moro na Avenida Miguel Sutil. Já abriram em frente a minha casa três vezes. Na segunda, abriram porque tinham esquecido de colocar a tubulação de esgoto. Onde está a organização? Não tem logística? Não tem prioridade? Eu analiso ele como o pior governador de Mato Grosso. Teve uma pesquisa do Ibope recentemente e eu acredito que ela até foi errada, porque coloca Silval como o quarto pior governador do Brasil. Isso tá errado gente, esse homem merecia o primeiro lugar. 

MidiaNews – Como avalia a gestão do prefeito Mauro Mendes?

André D’Lucca –
 O Mauro foi a mesma coisa. Um empresário muito bem sucedido, que vai mudar a história dessa cidade... Começa assim: um empresário bem sucedido é um cara ocupado. Por que esse cara que ganha milhões na Bimetal vai pegar um cargo com salário de R$ 20 mil e cheio de pepinos e abacaxis? Ele ganha milhões, por que assumir uma prefeitura? Não, não é lógico, não tem lógica nessa história. Porque um candidato investe milhões na campanha, para ganhar um salário tão baixo. Como assim? Tem alguma coisa errada e a população tem que acordar pra isso. Aí o Mauro entra prometendo um milhão de coisas, fala que em um ano vai ter novo pronto-socorro. Cadê esse pronto-socorro? Nunca morreu tanta gente como agora. O pronto-socorro não precisa só de maca. Precisa de infraestrutura, medicamentos, médicos. Quando o prefeito precisa de médico, não é pro pronto-socorro que ele vai. É pra fora, óbvio. Até eu iria, mas as pessoas merecem o mínimo. Prometeu tem que cumprir. Já dizia Roberto França [prefeito de Cuiabá em duas ocasiões]: prometer e não cumprir é pior do que mentir. E aí que entra o Mauro Mendes. A Educação está péssima, a Saúde... A Almerinda brinca que a saúde morreu semana passada, lá no pronto-socorro, precisando de UTI e sem atendimento. 

MidiaNews – Em junho de 2013, o povo saiu às ruas para protestar basicamente por tudo. Você sente que está refletindo no processo eleitoral?

André D’Lucca – Eu esperava mais. Eu esperava um resultado melhor. Eu sinto que está igual. As pessoas dizem que eu tenho que analisar os partidos. Pra mim, está tudo igual. A diferença é onde eles nascem. Tem partido que nasce na esquerda e tem aqueles que nascem na direita, só que a tendência, no momento em que chegam no poder, é ir para o centro. Eles se aliam, esquecem princípios do partido. Tem sido assim desde o início e sempre será. 

MidiaNews – Devido à repercussão da personagem Almerinda e aos tons críticos que ela usa, algum candidato chegou a oferecer dinheiro para que não falasse dele ou atacasse o adversário?

André D’Lucca – 
Um empresário famoso aqui de Cuiabá me procurou, no ano passado. Ele me convidou para uma reunião e havia me adiantado que eu iria ganhar “muito dinheiro”. Em uma pré-reunião, eu tinha entendido que ele queria me apoiar, enquanto artista. Então, eu fui munido com documentos sobre Lei Rouanet e pensei que, finalmente, alguém gostaria de apoiar artisticamente meu trabalho. Mas não, a proposta era parar de bater em um político e bater só em outro. A proposta era de R$ 300 mil. Aí, eu comecei a fazer conta, meu carro estava quebrado, então fui para o ponto de ônibus pensando. Eu fiquei seduzido do caminho da sala dele até o ponto. 

Durante a reunião, ele ligou pra pessoa que ia pagar a grana e falou: “Olha, aquele problema está aqui na minha frente e está tudo certo, a gente entrou em acordo com o valor e, daqui dois dias, passamos a grana”. A voz falou “ok, pode passar o dinheiro”. Aí eu cheguei no ponto de ônibus e pensei: eu vou pegar essa grana e gastar inteira em 24 horas. 

Como na época eu fiquei sabendo dos problemas que os portadores de necessidades especiais enfrentavam com o sistema “Bus Car”, da prefeitura, pensei em comprar um monte de ônibus, nos que já existiam mandaria colocar ar condicionado, depois levaria nota fiscal e denunciaria o descaso da prefeitura na imprensa, além de falar que o fulano me deu a grana, a mando de beltrano e gastei o dinheiro. Aí eu pensei, pensei mais um pouco e, por fim, pensei que eu preciso viver mais um pouco. Se eu fizesse isso, iriam me matar no mesmo dia. Primeiro, porque eu gastei o dinheiro e, depois, porque denunciei o esquema deles. 

MidiaNews – Muvuca, José Riva e Lúdio Cabral foram entrevistados pela Almerinda, no “De frente com Almerinda” e foram abordados, com humor, assuntos delicados ou polêmicos. Como você analisa o comportamento dos candidatos?

André D’Lucca –
 Esse programa nasceu de uma brincadeira, mas não achava que fosse conseguir fazer nessa eleição. Eu fui em um museu, estava vendo outra coisa, e me disseram que a assessora do Lúdio estava no local. Eu falei do meu projeto e, em momento algum, pensei que ele fosse aceitar. Dois dias depois, ela me ligou avisando que o Lúdio tinha topado. Aí foi aquele processo de mobilizar a equipe e entender qual linha eu seguiria, uma vez que depois teriam os outros. No dia, foram quatro câmeras gravando. Depois, só uma funcionou. Ainda assim, o programa bombou. E o Lúdio foi muito esperto, muito simpático e levou tudo na boa, saiu bem de todas as perguntas, mesmo naquelas mais delicadas. Particularmente, é a que eu mais gosto. 

No caso do Muvuca, eu tinha uma antipatia bem maior do que tinha pelo Lúdio, mesmo porque, há um tempo atrás, o Muvuca fez uma enquete no Facebook para saber minha sexualidade. Quando eu olhei, tinha dezenas de comentários. Eu perguntei, na ocasião, eu respondi. Ele deletou tudo e aí falou comigo inbox (mensagem). E eu respondi que nem achava que tinha pegado pesado, que nem tinha falado onde ele enfiava o nariz dele. Nunca mais falou comigo. Aí, de repente, chega um convite de amizade de quem? Muvuca. Aí eu pensei: “vou me vingar”. E comecei a fazer postagens dizendo que ele tinha marido. Enfim, acabei convidando-o para o quadro e a antipatia acabou naqueles minutos. 

Os políticos têm que entender que eu estou fazendo o meu papel. Eles têm que chamar para o diálogo. Quem foi muito esperta e fez isso foi a mulher do Mauro Mendes, a Virgínia Mendes. Quando eu comecei a criticar o sistema de transporte para os deficientes, eu convidei os dois para dar um “rolê” comigo pela cidade, junto com os portadores de necessidades especiais. Ela, sempre muito política, educada, veio conversar comigo. Como eu vou bater numa mulher dessas? Como vou ir para o embate com uma mulher dessas, se ela é educada e responde todos os meus questionamentos? Isso não impede que eu continue questionando, fazendo piada, mas muda. 

A Janete Riva, por exemplo. Quando os políticos fazem algo de bom, não se pode negar. Quando ela assumiu a Secretaria de Estado de Cultura, me chamou na primeira semana para conversar. Ela abriu o diálogo com a classe. Foi ela quem me deu, pela primeira vez, o acesso ao recurso do intercâmbio cultural, que é uma verba destinada a todo artista que produz e fica na Secretaria. Nunca haviam me dado acesso a isso. É um direito que os artistas têm e isso não é sequer divulgado. E aqui em Mato Grosso é sempre o mesmo grupo, a mesma panela. A Operação Alexandria [da Polícia Civil, que investiga esquemas de desvio de dinheiro na pasta, por meio do Conselho de Cultura] é um exemplo. Aí cai conselheiro que desviou mais de R$ 1 milhão, aí cai, fica preso uma semana, sai e fica rindo da cara da gente, rindo, com R$ 1 milhão no bolso. 

Aí, o filho da primeira-dama, Roseli Barbosa, o Ricardo Barbosa, vai lá se apresentar pela primeira vez e liberam, não me lembro se R$ 200 mil ou R$ 300 mil, só que o valor era redondo. E aí em uma reunião com a Roseli, ela perguntou “por que você falou do Ricardinho?” e eu “que Ricardinho?”. Aí ela falou que era o filho dela. Aí eu expliquei que eu não tinha falado do filho dela, mas sim do fato de o Governo liberar essa quantia. Aí ela me corrigiu “não, tá vendo, você nem sabe. Foram R$ 160 mil – caso tenha sido R$ 200 mil – ou R$ 260 mil”. Tipo, um valor tão absurdo quanto o outro, mas na cabeça dela tava errado. Aí eu falei que quando eu pedia dinheiro para o Governo eu peço R$ 1.500, peço R$ 2.000, dependendo da temporada eu peço R$ 3.000. 

MidiaNews – A Almerinda tem alguma simpatia por algum dos postulantes ao Governo? Em quem ela votaria?

André D’Lucca – A Almerinda votaria nela mesma, mas ela é amiga de todos os candidatos. De alguns, aliás, ela já foi amante. 

MidiaNews – Você falou da Operação Alexandria. Como analisa a ação? 

André D’Lucca – 
Aquilo foi só a ponta do iceberg. Se for pra prender quem desviou o dinheiro da Cultura, eles vão ter que construir uns três presídios aqui em Cuiabá. A gente já ganha pouco, a pouca verba que tem para pasta é desviada, em partes, e a outra eles direcionam. Já vem uma ordem dizendo para quais projetos é cada verba. Não são pessoas que estão no dia a dia fazendo cultura aqui no estado. Eu me considero produtor cultural atuante. Considero um dos atores mais produtivos de Mato Grosso. Estreio vários espetáculos por ano. Se tem qualidade ou não, se meu trabalho é bom ou não, isso é outra coisa. Eu tenho público, eu tenho as empresas que me apoiam e tem pessoas que estão estreando hoje e já de cara recebem R$ 60 mil pra estrear um produto, que às vezes nem acontece. O dinheiro sai, o produto não sai ou às vezes sai com uma qualidade que você pensa que investiram R$ 2 mil, no máximo. A gente precisa de uma faxina na Cultura, precisa mexer nesse orçamento.

MidiaNews – Como foi o começo de sua carreira, como foi o processo de se descobrir ou entender ator?

André D’Lucca 
– Eu comecei em 1990, quando entrei para a Escola Técnica (antigo Cefet, hoje IFMT) e na época um diretor chamado Edivá chamou todos os alunos para o teatro para uma palestra. Na ocasião, o Grupo Ânima, que era da escola, apresentou para os alunos o espetáculo Analfabasta. Foi a primeira vez que eu vi teatro de verdade, em um lugar apropriado, com iluminação legal, bom texto, sonoplastia, bons atores, figurino, e eu fiquei impactado com aquilo. Eu fui criado para ser médico ou advogado e minha mãe não aceitava outra profissão para mim, mas foi naquele momento que decidi que queria ser ator. Não foi fácil, minha família não me apoiava e eu comecei a fazer teatro por conta própria. Já no meu primeiro teste no Grupo Ânima eu ouvi que não tinha futuro nisso, que era um péssimo ator, pra que eu fosse escolher outra atividade artística e que eu não tinha o menor talento. E eu tenho uma característica muito forte na minha vida que é quando alguém fala que eu não consigo, aí que eu tento ainda mais. Não pra provar pros outros, mas pra mim mesmo que eu dou cont. Na minha cabeça eu pensava que conseguia atuar, que era muito familiar e fácil, mas foi um longo caminho até aqui, fiz muitas oficinas, tudo que falavam que era meu dificultador, eu usava como meu diferencial. Nesse processo também me formei em Direito, entreguei o diploma pra minha mãe, e segui a carreira. Fui embora para o Rio de Janeiro, fiquei 10 anos, sendo que destes 8 foram prestando serviço para a Rede Globo. E não como figuração, meus personagens tinham nome, fala. Em Sete Pecados, por exemplo, fiquei um mês no ar, fazendo um sequestrador. Realmente os maiores papéis para um ator negro são de escravos, bandidos e empregados, mas tem outros. Foi assim que comecei minha carreira, vivo de teatro, vivo bem. Existem períodos, claro, que ganho mais, outros que não ganho nada. Eu também invisto o que ganho na minha carreira. Não tenho dó de gastar com minha carreira. 

MidiaNews – E como foi sua experiência, como ator, negro e do interior do país, no Rio de Janeiro?

André D’Lucca – Qualquer lugar do Brasil que você perguntar como é o mercado para ator vão dizer: é péssimo, não dá, está saturado, não dá dinheiro. E eu me sinto um empreendedor. Eu acredito que quem faz o mercado somos nós. Alguns anos atrás, acredito que há 8 anos, eu trouxe dois espetáculos da Almerinda – “Os segredos de Almerinda” e “Almerinda, cachorra diamante”, que era continuação - de quinta a domingo, no teatro da TV Centro América, por quatro meses seguidos. Quando eu fui estrear, me diziam que eu era louco, que Cuiabá não tinha público pra isso, que aqui era coisa pra um fim de semana, diziam que se baseavam em pesquisas, etc, e eu fiquei com a casa lotada os quatro meses. Então, se não há demanda, não há procura. Se a gente criar um circuito semanal de teatro em Cuiabá você pode ter certeza que vai ter público. E no Rio foi a mesma coisa. Me diziam que o mercado estava saturado e, de fato, os primeiros dois anos foram de muita ralação. Eu tive muita sorte e acredito ser muito abençoado porque na minha primeira semana, depois de ter distribuído composite [currículo de ator] por toda a cidade, fui chamado para fazer uma campanha nacional da prefeitura da cidade. Eu sempre acredito que uma porta vai abrir. 

Durante esses dois anos eu também fiquei no pé da [atriz] Ingrid Guimarães, que eu tinha conhecido aqui em Cuiabá devido dois espetáculos [Confissões de Adolescente e Duas Mãos a Espera] e me apaixonei. Com Almerinda criada, eu precisava de alguém pra me dirigir e eu queria que fosse ela. Pra isso, fui ver a peça “Cócegas”, que era sempre lotada, fazia muito sucesso e foi um boom na época. A peça também contava com a Heloísa Périssé. Como eu percebi que as duas funcionavam muito juntas, eu pensei que precisava de ambas na minha direção. Foram três meses, todos os dias, na frente do teatro, levando meu projeto, tentando falar com elas, até que chegou um ponto que a situação ficou insustentável. Saí de casa e falei pra mim mesmo que aquele era o último dia, elas teriam que me dar uma resposta. Só que eu inverti minha estratégia e, ao invés de chegar no final do espetáculo, cheguei no início. Esperei umas três horas e o público foi chegando e de repente a Heloísa chega atrasada, com bobs no cabelo, e já virou e falou “ah não, você aqui não, não, vou ser sincero garoto, não aguento mais você, vem aqui no meu camarim, faz uma cena dessa peça, se eu gostar, vou te dirigir, se não desaparece e volta pra Cuiabá” (D’Lucca imita a voz da atriz). Uma coisa é você fazer o personagem caracterizado, protegido pela maquiagem, outra é sob a pressão do tempo – eu tinha cinco minutos. Eu comecei a fazer uma cena de Almerinda e ela, em momento algum, riu. De repente, atende o telefone e eu paro, ela fala “não, não, continua”. Ela desligou, ficou séria e uns 10 segundos caladas, que mais pareciam 10 minutos, só me olhando. No fim ela falou “olha só garoto, amei você, vou te dirigir”. Nisso entrou a Ingrid, tive que fazer novamente, e rolou. A peça foi um sucesso e o mercado se abriu pra mim. Eu fiquei nove meses no mesmo teatro com a casa lotada, depois rodeio outros como o Miguel Falabela, no do Shopping da Gávea, no Leblon, na sala Fernanda Montenegro. Eu também fiz um ano e meio de turnê na Europa com Almerinda. 

MidiaNews – Mas, da onde surgiu a Almerinda?

ndré D’Lucca – Há 14 anos, eu estava sendo entrevistado pelo Diário de Cuiabá, por uma jornalista chamada Tânia, sobre a peça “Antes só do que só acompanhado” e nela, eu fazia cinco personagens, sendo que dois eram femininos. Eu não sei se a Tânia estava de mau humor ou irritada naquele dia, mas ela virou pra mim e disse que era muito fácil para os atores fazerem uma mulher estereotipada. “Eu quero ver o dia que um ator vai construir uma personagem feminina que fale da realidade da mulher. Estou te lançando esse desafio”, ela falou. E eu levei um susto, porque tinha ido falar de comédia e de repente ela me joga isso. Foi ela quem me motivou a criar a Almerinda. Só que eu pensei comigo e falei: vou sacanear, vou misturar três mulheres loucas e vou fazer uma bem louca. Eu juntei Narcisa Tamborindeguy, com Vera Loyola e Rosinha Garotinho. As minhas referências eram essas. Daí, eu escrevi um texto e, na época, gravava comercial para o supermercado Modelo, os “Contadores de Vantagem”, aproveitei o diretor de vídeo José Augusto Barbosa, que me dirigia e era uma figura muito engraçada, e levei pra ele. Na época eu só fazia drama, fiquei anos no grupo Cena 11, que só fazia umas coisas mais cabeças, meio porra louca e que ninguém entendia nada. Pedi ajuda pra ele e nós estreamos Almerinda. A primeira versão era muito tosca. Almerinda era um travecão, o figurino era horrível, a maquiagem medonha. Eu olhava no espelho e tinha vergonha daquilo. Aí, meses depois chegou o Jeferson Barcelos, o Jefinho, em Cuiabá. Ele era maquiador do Duda Molinos e fez uma maquiagem em mim de quase uma hora. Quando eu olhei não me reconheci. Aí, naquele momento percebi o potencial de Almerinda e que ela poderia ser totalmente diferente de mim. E as pessoas gostavam, mesmo sendo meio tosco ainda naquela época, elas gostavam. Foi quando eu resolvi ir para o Rio e a trajetória de Almerinda começa de verdade. 

MidiaNews – A Almerinda ganhou repercussão com críticas a políticos neste ano, mas como foi o processo de ela de entrar nesse meio e se candidatar governadora de Mato Grosso? 

André D’Lucca – A Almerinda sempre falou de política. Desde o início, foi um diferencial para o personagem. Eu adoro comediantes que sabem usar o humor pra falar de política. Minhas referências nisso são Jô Soares e algumas coisas do Chico Anysio. A primeira eleição da qual Almerinda participou foi em 2012, para prefeita de Cuiabá. Mas, de uns tempos pra cá, eu tenho recebido convites de verdade pra entrar na política. Já me convidaram para sair a vereador ou a deputado, justificando pra eu sair como a Almerinda, que puxaria votos e seria uma espécie de Tiririca. Mas eu não tenho interesse de estar do lado de lá da política, eu tenho interesse de estar onde estou, passando minha visão de que forma eu enxergo. 

Daí um amigão meu, Flávio Ferreira, me chamou para conversar em 2012 e questionou mais uma vez se eu não queria mesmo ser candidato, que ele tinha uma proposta pra mim. Eu falei não e ele me deu uma ideia: da Almerinda ser a anti-candidata. Dela criar em cima da eleição, fazer o espetáculo, jogar na internet, tumultuar, de alguma forma, o processo, ir nos debates e eu fiquei com aquilo na cabeça. E eu encarei isso. Na época eu lancei o espetáculo “Boca de urna”, que bombou. Aí teve o segundo turno e lancei um novo espetáculo, que era a corrida eleitoral entre o Mauro Mendes (PSB), o Lúdio Cabral (PT) e a Almerinda. 

MidiaNews – Como você analisa a repercussão disso em sua vida? De, querendo ou não, mexer com política, com homens públicos?

André D’Lucca –
 Eu percebi que você cria muitas inimizades quando entra no cenário político. Não só de quem você está falando, como das pessoas agregadas e de todos os puxa-sacos e simpatizantes. Você cria inimigos do nada que só de você se expressar já te veem como inimigo. Nesta eleição, por exemplo, o Procurador Mauro [candidato a deputado federal pelo PSOL], do qual tenho amizade e inclusive trabalhei como estagiário de Direito no escritório dele, ficou chateado porque eu fiz piada com o candidato a governador da legenda, o doutor José Roberto. Mas o que não entendem é que a piada já estava pronta... nos debates o homem mal consegue ler o nome dele. Aí o Procurador disse que eu passei do ponto. 

Outro grande exemplo está na primeira-dama de Mato Grosso, Roseli Barbosa. No ano passado eu levei duas ações, uma cível e outra criminal, por causa de uma piada de Almerinda sobre o Lar das Crianças. Infelizmente, na cabeça das pessoas tudo está muito invertido. O Procurador Mauro acha engraçadíssimo eu fazer piada com todo mundo, inclusive com ele, agora neste momento ele não gostou. Posso fazer com todos, menos com o candidato dele? Pra mim, tudo isso é muita hipocrisia. As pessoas colocam interesse pessoal acima de qualquer coisa. Eu não coloco assim. Eu penso muito mais no coletivo do que em mim mesmo. Porque se tivesse pensado apenas em mim, teria aceitado várias propostas para apresentar campanha de candidatos que eu sequer acredito. E as

propostas são altas. Cada vez mais altas a cada eleição.

MidiaNews - Mas, você já participou de alguma campanha política de maneira mais ativa? Do lado “de dentro” do processo?

André D’Lucca –
 Trabalhei para o Alexandre César (PT) em uma eleição a prefeitura de Cuiabá, em 2004, e levei calote. Eu estava no Rio, no auge da minha carreira e por isso mesmo o PT mandou me trazer. O cachê era mísero e fiquei três ou quatro meses trabalhando direto, porque teve segundo turno, e não me pagaram tudo. Eu fiquei com ódio porque eu acreditei, o Alexandre era evangélico, uma cara de bem, mas quando ele perdeu a eleição nem falava mais comigo. Então, aquela eleição foi importantíssima, porque eu entendi que as pessoas são maravilhosas, elas representam a mudança...durante a eleição, na campanha. No momento em que elas ganham, elas mostram quem elas são. 

MidiaNews - E você é ou já foi filiado a algum partido político?

André D’Lucca –
 Não. Eu não sou filiado a nenhum partido. 

MidiaNews - E neste momento, a sua peça Almerinda Governadora também é para aproveitar a “deixa”, já que houve o sucesso em 2012?

André D’Lucca –
 Exato. Em todas as eleições, daqui pra frente, a Almerinda vai sair candidata. Enquanto eu tiver força, pelo menos, ela será candidata. 

MidiaNews – A força da Almerinda vem das críticas ácidas que ela faz, além do humor, é claro. Você acha que o caminho é esse: usar o humor para fazer críticas sociais? 

André D’Lucca – Não fui eu quem inventou isso. É mais velho que andar pra frente. Desde a época dos reinos, tinha o bobo da corte, que fazia o trabalho que eu faço hoje: o único no reino inteiro que podia fazer críticas sobre todos. O bobo da corte falava de todo mundo, inclusive do rei, e era o único que não perdia a cabeça. Porque era considerado um bobo, um palhaço, estava ali pra divertir todo mundo e o que ele falava ninguém levava a sério. Só que eram coisas sérias o que ele estava fazendo e dizendo. E eu só percebi o poder da piada, na prática, com a Roseli Barbosa. Ela me ensinou a lição. 

Eu fiz, no ano passado, uma piada de um desvio de R$ 54 milhões do Lar das Crianças [Roseli era titular da Secretaria de Assistência Social, que geria a instituição], enquanto elas, as crianças, estavam passando aperto, necessidade, sendo molestadas, meninas sem calcinhas, crianças sem roupas, faltando medicamentos por falta de pagamento ao fornecedor, crianças sem remédios controlados... criança morrendo lá dentro. E ninguém falava nada. E eu resolvi falar disso de forma bem humorada. Mesmo porque se eu levo isso pra um discurso pesado, falariam que eu tinha interesse político. Então a Almerinda fez uma piada...ela abriu seu próprio Lar da Criança, que era um negócio lucrativo, que rendia R$ 54 milhões em três anos, com baixo investimento. Almerinda criou o Lar e chamou Roseli pra ser madrinha, porque era a fonte de inspiração de Almerinda. Ela ficou ofendidíssima e recebi as duas ações. E aí, pronto, foi um prato cheio. 

É claro, no primeiro momento eu fiquei super tenso com isso. Pensei “a rainha está me processando”. Eu, mísero bobo da corte, e a rainha pedindo minha cabeça. Só que daí, foi um prato cheio, porque a Almerinda veio a público dizer: “Pera aí, gente. Tem alguma coisa errada. Eu fiz uma piada e tomei duas ações. Eu sou a criminosa da história. E quem desviou R$ 54 milhões? É o que? A comediante? A palhaça?” [voz de Almerinda]. Rolou uma confusão, com acordo “fake” (mentiroso), li um documento, assinei um outro 40% adulterado. Pedi, então, pra meu advogado, Eduaro Mahon, cancelar. Ele não queria. Então eu fui no juiz, o Yale Sabo Mendes, expliquei o que tinha acontecido, e como ele não tinha homologado ainda, tudo foi cancelado. Eu não ganhei dinheiro com isso. Se alguém ganhou, não fui eu. Eu não me vendi e também não fiz nada para Roseli fazer papel de boba, eu só não queria sair como o lesado da história. O que ocorreu é que me passaram a perna e aprendi mais uma lição: em político e advogado não se confia. 

MidiaNews - E hoje, são águas passadas esse episódio com a primeira-dama? 

André D’Lucca – Até hoje, eu ouço história que eu me vendi. Esses dias tinha um cara em um site que postou um comentário “ah, esse atorzinho vai ter que pedir perdão de novo, como ele fez no espetáculo. Aí eu escrevi “por gentileza, eu não me lembro de nenhum espetáculo em que pedi perdão”. Ele voltou e respondeu “pediu sim, para Roseli Barbosa”. Então, essa história ainda me persegue e sempre que tenho a oportunidade eu esclareço porque depois que você joga uma fofoca, impossível sair catando os pedaços dela. 

MidiaNews - O humorista cuiabano Rodrigo Fernandes, do Jacaré Banguela, disse uma vez que humorista “de verdade” tem processo nas costas. Você concorda? Porque, querendo ou não, a história com Roseli trouxe uma fama. 

André D’Lucca 
– Meu cachê aumentou, tudo foi bom pra mim. Ela não tem ideia no tiro no pé que ela deu. Me projetou bastante, mesmo que de forma negativa pra algumas pessoas, porque também perdi muitas amizades. Eu entendo que me tornei uma pessoa pública e alguns dizem até que formadora de opinião, mas as pessoas são maldosas e vão te julgar. Elas esquecem que por trás de um político ou artista existe uma pessoa com sentimentos. Eu não sou de ferro. Eu já ouvi absurdos a meu respeito. Absurdos mesmo. Já chegaram a falar, por exemplo, que eu tive HIV. E na pura maldade. Saíram espalhando isso. Na época eu fiz até exame e queria que a imprensa publicasse. E eu lembro que quando a informação chegou eu chorei. Eu tinha acabado de me divorciar e minha filha bebê e as pessoas falando isso, que eu tinha me separado porque eu tinha HIV. Esse tipo de maldade me machuca. Uma coisa é inventar um factoide na pura maldade, isso eu não faço. O que eu faço é pegar tudo que está rolando e fazer uma leitura cômica. 

 

 

Isa Sousa 
Da Redação

Comentários

Data: 13/07/2016

De: Gnugk

Assunto: Hvktli

Hufig

Data: 29/09/2014

De: HHHHHH

Assunto: AAAAAAAA

"Ator de cuiabá"??

Vou colocar vc no Zorra Total pra ve o que consegue, pq de politica vc nao sabe nada...

Data: 29/09/2014

De: Cabeça Inchada

Assunto: ok

Ta bom que eu vo le essa lorota, sai dessa malandro nunca vi esse ator. ele deve tá doido pra continua a toa no governo, mas dia 1 de janeiro é RUA!

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