29/09/2016 - Cursi manda delator 'morrer negando'

O ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, orientou o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, a “morrer negando” e “aguentar pressão” para impedir que a verdade sobre os esquemas de desvios de dinheiro público viesse a tona.

A declaração consta em trecho da decisão da juíza Selma Rosane Santos Arruda da 4ª fase da Operação Sodoma, deflagrada pela Delegacia Fazendária (Defaz) na segunda-feira (26).

Afonso recebeu as orientações no período em quem ficou preso no Centro de Custódia da Capital (CCC) no (antigo Carumbé) em fevereiro deste ano.

“Não menos importante é a afirmação do colaborado Afonso Dalberto no sentido de que, quando estava detido do CCC Centro de Custódia da Capital, foi orientado por Marcel a "aguentar pressão" e "morrer negando", o que indica sua resistência e firme propósito de impedir que a verdade venha à tona e que os elucidados”. Veja reprodução abaixo 

O delator Afonso Dalberto revelou que o ex-governador ficou com R$ 10 milhões para quitar a dívida com o agiota Valdir Piran e o restante da propina foi dividido entre os ex-secretários Pedro Nadaf, Marcel de Cursi, o procurador aposentado Chico Lima, o ex-secretário de Planejamento Arnaldo Alves e o próprio Dalberto.


O esquema envolveu a desapropriação de uma área de 55 hectares no bairro Jardim Liberdade na Capital no valor de R$ 31 milhões. Desse valor, R$ 15,8 milhões foram devolvidos ao grupo de Silval.

Em uma de suas declarações, Afonso disse ter medo da família do ex-governador Silval Barbosa, principalmente de seu irmão Toninho Barbosa.

"Afirma possuir muito medo da família Barbosa tanto de Silval como de seu irmão Toninho Barbosa, eis que era corriqueiro nos corredores do governo, os dizeres de <sic>boca mole formiga come a língua, quem tem cu tem medo <sic>; QUE embora o interrogando nunca recebesse nenhum tipo de ameaça direta possui muito medo por conta de sua situação; QUE afirma, ainda, que durante audiência realizada no fórum de Cuiabá referente a operação Seven se encontrava aguardando para ser chamado para audiência na companhia dede Nadaf e Silval, ocasião em que Silval indagou porque o interrogando não conversa com eles, que na verdade eram eles seus verdadeiros amigos e que os inimigos estavam do outro lado, se referindo a justiça; que posteriormente, quando já se encontrava no Centro de Custódia, Silval lhe mandou um recado por Nadaf dizendo que se precisasse de advogado poderia contar com sua ajuda; que o interrogando ficou intimidado com tal abordagem e teme represálias contra sua pessoa bem como sua família;", consta na decisão.

Fernanda Leite, repórter do GD

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