29/10/2012 - Governo argentino pode impedir GOL e TAM de operar em aeroporto

A imprensa da América do Sul divulgou nesta semana que o governo argentino e a direção da Aerolineas Argentinas estudam uma medida no mínimo polêmica: transformar o Aeroparque, aeroporto localizado a 10 minutos do centro da capital portenha, em um terminal exclusivo para a companhia estatal e suas subsidiárias. 

A mudança, que vem sendo chamada de “Plano Aeroparque” ou “Plano K”, tiraria do aeroporto com melhor localização da capital argentina os voos da GOL e da TAM para o Brasil, além das companhias LAN, SOL, Andes, BQB, Aerochaco e LADE, que pertence à Força Aérea. As maiores seriam obrigadas a voar exclusivamente para o aeroporto de Ezeiza, que fica a cerca de 40 quilômetros de Buenos Aires, enquanto as regionais seriam deslocadas para o pequeno terminal de San Fernando.

Segundo a imprensa argentina, o projeto está em estudo por Mariano Recalde, presidente da Aerolineas, e membro do La Campora, grupo político que apoia a presidente Cristina Kirchner. O objetivo seria tornar a companhia mais competitiva, oferecendo uma vantagem em relação às concorrentes, a fim de reduzir o déficit da empresa, estimado em US$ 2 milhões por dia. O principal alvo, contudo, não seriam as aéreas brasileiras, mas sim a LAN Argentina, que tem ganhado mercado no país.

Fontes ouvidas pelos jornais, tanto no governo quanto na companhia estatal, apontam que o plano pode ser efetivado, mas enfrenta desconfiança pela equipe, especialmente pela possibilidade de retaliações por parte dos países de onde vêm as companhias aéreas que seriam desalojadas.

Atualmente, entre decolagens e chegadas, o Aeroparque opera cerca de 295 voos diários, dos quais 190 são da Aerolineas e Austral. A LAN Argentina opera com 55 voos locais e regionais. TAM, GOL e LAN têm seis voos por dia. As demais companhias são as argentinas SOL (18 voos), Andes (4), BQB (4), Aerochaco (4), e LADE (2).

Segundo o jornal argentino O Cronista, a transferência das companhias brasileiras para Ezeiza seria uma decisão quase certa após o fim da ampliação do aeroporto, que é o maior da Argentina. O maior entrave estaria na transferência da LAN e da LAN Argentina. Vale lembrar que as duas companhias brasileiras operavam apenas em Ezeiza e só conseguiram slots no Aeroparque após reclamarem igualdade de tratamento junto ao governo argentino, em 2010.

Resta acompanhar para ver se os argentinos vão mesmo por em prática o tal plano e qual será a reação dos governos com relação a isso, especialmente o brasileiro e o chileno, já que as companhias de seus países serão as maiores prejudicadas, assim como seus passageiros. (Com informações do El País e Cronista)

 

De Brasília - Vinícius Tavares