29/10/2015 - PF prende dois servidores da Sema e um da Metamat em Cuiabá

Dois servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e um da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) foram presos temporariamente nesta quarta-feira (28), em Cuiabá.

 

Os três - que não terão os nomes divulgados -  são suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável pela exploração e comércio ilegal de ouro, no Norte do Estado.

 

As prisões fazem parte da Operação Mãe de Ouro, da Polícia Federal.

 

No total, 11 mandados de prisão preventiva, 19 mandados de busca e apreensão 1 de condução coercitiva foram expedidos pela Justiça Federal de Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá).

 

A assessoria da Polícia Federal, porém, não soube informar se os demais mandados foram cumpridos. Também são alvosgarimpeiros e proprietários de postos.

 

A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da Sema e da Metamat, no Centro Político e Administrativo (CPA).

 

Em nota, o órgão e a companhia confirmaram que os policiais estiveram nos prédios.

 

No entanto, disseram que eles (policiais) não levaram nenhum documento e também não realizaram as prisões dos servidores no local de trabalho.

 

A assessoria de imprensa da PF também não informou onde os servidores foram presos.

 

A Metamat ainda afirmou, na nota, que o servidor preso pela PF não trabalha mais na autarquia.

 

“A pessoa em questão trata-se ex-servidor que exerceu cargo comissionado na empresa. entre 2011 e março de 2015, quando foi exonerado em função de mudanças administrativas promovidas pelo Governo do Estado”, diz o documento.

 

Na nota, a Sema e a Metamat também afirmaram que se colocaram à disposição da Polícia Federal para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.

 

Conforme a assessoria da PF, os três presos prestaram depoimento ainda hoje. Elesresponderão por crimes ambientais, usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa e passiva.

 

Ouro apreendido

 

A Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensões nos municípios de Nova Bandeirantes, Alta Floresta, Apiacás e Peixoto de Azevedo.

 

Ao site Só Notícias, o delegado da PF de Sinop, Samir Zugaibe disse que nessas cidades foram apreendidos uma grande quantidade de ouro e dinheiro. Os valores, porém,  ainda não foram contabilizados.

 

A PF deve divulgar em breve, um balanço da operação.

 

“O problema do garimpo do Norte de Mato Grosso é sério, muito antigo e até mesmo cultural. A Polícia Federal sempre trabalhou neste sentido. Pretendemos evitar que esse material [ouro] seja extraído ilegalmente e seja comercializado. Assim, controlamos que novos garimpos surjam ilegalmente, causando, inclusive, danos ao meio ambiente, que é outro tipo de crime investigado por nós”, disse o delegado. 

 

A operação

 

Durante as investigações, segundo a PF, identificou-se a extração ilegal de ouro em vários pontos do Norte de Mato Grosso, abrangendo extensas áreas e mediante a utilização de maquinário pesado, causando grave degradação ao meio ambiente; aquisição de ouro por postos de compra (PCOs) instalados nas cidades de Nova Bandeirantes, Alta Floresta, Apiacás e Peixoto de Azevedo.

 

Esses postos forneciam a documentação necessária para conferir aparência de legalidade à origem do ouro, permitindo, na sequência, a inserção do mineral já esquentado no Sistema Financeiro Nacional.

 

Além disso, apurou-se também a corrupção de servidores da Sema e da Metamat no esquema criminoso, mediante o recebimento de vantagens indevidas para a liberação de licenças ambientais e para o esquentamento do ouro.

 

 Mãe do Ouro

 

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação faz referência à lenda da Mãe do Ouro, que, no folclore brasileiro, significa uma bola de fogo, que, às vezes, se transforma em uma mulher e indica os locais onde se encontram jazidas de ouro que não devem ser exploradas.

 

 

 

Thaiza Assunção 

Da Redação

 

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