29/10/2015 - Comissão entrega relatório ao governador

Em um período de 180 dias, a comissão de estudo sobre a organização curricular em Ciclo de Formação Humana debateu a concepção da escola neste sistema de ensino, a implantação em Mato Grosso, a formação de professores, a avaliação, os tempos e os espaços escolares, além da participação da família no processo de aprendizagem. O relatório final foi entregue na terça-feira (27.10) ao governador Pedro Taques, que pediu à comissão alguns dias para analisar o documento.

 

O estudo apontou distanciamento entre a proposta inicial do sistema de ensino, que se orienta pelo desenvolvimento individual de cada educando, e sua aplicação. “Foi respeitado o princípio da enturmação por idade, mas a aprendizagem, que é um elemento chave da proposta, passou a ter um papel secundário”, relatou o secretário- adjunto de Política Educacional da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Gilberto Fraga, destacando que a organização não favoreceu a interdisciplinaridade e o trabalho coletivo.

 

Um dos pontos mais criticados pela comunidade escolar em geral é a não reprovação do aluno. Para a comissão, houve um entendimento equivocado de que a não retenção significa não avaliar. “Em muitas escolas este pensamento levou ao abandono de qualquer processo avaliativo. Mas o que o sistema propõe é o conceito de progressão continuada, que prevê um acompanhamento mais consistente ao aluno”, alertou Fraga.

 

Para ele, um dos reflexos da má implantação é o baixo desempenho e nível de proficiência dos alunos mato-grossenses apontados por avaliações externas, como por exemplo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e Prova Brasil.

 

A diretora de Gestão de Licenciatura da Pró-reitoria de Ensino de Graduação da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), professora Rinalda Bezerra Carlos, lembrou que o sistema foi negligenciado e implantado de forma parcial. “Desde o sistema de formação inicial, da avaliação, da organização e infraestrutura da escola, verificamos que não respeitaram alguns pontos fundamentais”.

 

Desafios

Entre os desafios apontados pelo grupo para que Mato Grosso mude o rumo do ensino público está a criação de uma política de Estado, e não de governo, e a necessidade de uma gestão fortalecida no coletivo. “O papel da Seduc deve ser o de garantir todos os elementos para que isso aconteça, corrigindo o que estiver errado, melhorando o que estiver precário e mantendo o que estiver correto”, comentou o secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto.

 

Segundo ele, uma das principais ações a ser realizada pela Seduc é a avaliação institucional, que trará um diagnóstico sobre a defasagem e aprendizagem dos alunos, e uma análise do desempenho do professor em sala de aula. Uma empresa vinculada à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) deverá realizar a avaliação, prevista para acontecer no início do ano letivo de 2016.

 

Após a divulgação dos resultados, as escolas deverão montar um plano de ação que se adeque às necessidades educacionais apontadas. “A avaliação também mostrará as necessidades formativas dos docentes. Com isso, definiremos os cursos e formações a serem ofertados pelos Cefapros [Centro de Formação e Atualização de Professores]”, argumentou o secretário.

 

A dedicação exclusiva dos professores para atuarem em apenas uma escola, com única jornada de tempo para a realização do planejamento coletivo, e a educação integral e plena estão contempladas no relatório. Para a comissão estes pontos comprometem a formação integral dos estudantes.

O governador Pedro Taques agradeceu o empenho de todos os participantes e instituições na comissão e declarou que irá, em breve, agendar um novo encontro para discutir as propostas levantadas. “Mais que investir em estrutura física das unidades escolares, nosso grande desafio é garantir a aprendizagem do aluno, e fortalecer a capacidade do professor de ensinar”.

 

A comissão foi composta, além da Seduc e Unemat, por representantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-MT), União dos Conselhos Municipais de Educação de Mato Grosso (Uncme-MT), Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Assembleia Legislativa.  

 

 

 

 

 

Redação 24 Horas News

 

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário