29/11/2014 - PF aponta que família Versari grila 21 lotes e ameaça assentados de morte

O esquema de grilagem de terras e de comércio ilegal de áreas da União, conforme as investigações da Polícia Federal, se daria por meio de algumas famílias, que supostamente usavam da influência para se apropriar dos locais. Entre os principais integrantes da organização criminosa estão membros da família Versari, sendo eles os irmãos Oscar, Osmar e Luiz Bento. Os três seriam “influentes, poderosos e temidos” e foram enquadrados como membros do segundo escalão da quadrilha.

Eles são investigados, na Operação Terra Prometida, pelos crimes de corrupção ativa, fraudes diversas, ameaças, crimes ambientais além do crime de invasão de terras públicas. Juntos, teriam 21 lotes.  

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As áreas estão no nome de parentes, inclusive de filhos que não possuiriam o perfil de clientes da reforma agrária. “Possuía mais de 25 parcelas no âmbito do PA Itanhangá/Tapurah”, sendo que 14 foram retomados pelo Incra. Segundo o pedido de prisão, os irmãos são violentos e têm "proferido ameaças de morte aos assentados dos 14 lotes retomados", tendo, nas sedes das fazendas em Tapurah e em Itanhangá, armamentos pesados.

Conforme depoimento da testemunha Dirceu Luiz Capelesso, os irmãos ameaçaram assentados para colher o milho que haviam plantado em lotes retomados pelo Incra e avisaram que, com a ajuda de fazendeiros, iriam tirar os assentados do local.

Entre as provas apresentadas estão boletins de ocorrência e CD com fotos da lavoura, demonstrando que quase não existem mais assentados no local, apenas grandes fazendas de soja.

Em depoimento, Oscar, Osmar e Luis relatam que chegaram ao local em 1998. Além deles, foram beneficiados com terras Roberto e Cláudio Versari, e os cunhados Geraldo Fernandes da Conceição e Fernando Pereira Antônio. “Oscar ainda asseverou que, em 2002, o Incra fez uma retomada de diversos lotes com problemas e, seus filhos e sobrinhos também foram contemplados com lotes contíguos, alegando que todos passaram a produzir nos 17 lotes recebidos”.

Esquema 

A organização criminosa é acusada de causar um prejuízo de R$ 1 bilhão. A investigação começou em 2010, após divulgação de reportagens. Conforme denúncia anônima, a quadrilha criminosa que se apropriava de terras da União é integrada por autoridades, fazendeiros, empresários, políticos, servidores e pistoleiros. "Eles se valeriam de ameaças e violência para alcançar os seus objetivos".

Esquema era dividido em 4 núcleos, entre líderes e servidores - confira

 

 

Patrícia Sanches

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