30/01/2014 - Abandono de carreira na Polícia Militar em 2013 teve aumento de 40 % em comparativo com ano anterior

Quarenta e cinco policiais militares mato-grossenses abandonaram a carreira pedindo baixa em caráter irrevogável em 2013, uma média de 3,7 ao mês. Esse índice representa um aumento de 40,6% em relação às demissões protolocadas em 2012, ano em que 32 policiais deixaram a PM espontaneamente.

Apesar de não haver detalhamento oficial, sabe-se que a maioria era soldado com menos de cinco anos na atividade militar. Na primeira quinzena de 2014, dois soldados já abandonaram a farda.

Renan Gonçalves de Oliveira, 29, que ingressou na Polícia Militar há pouco mais de três anos, acaba de abandonar a profissão. Esta semana, o ex-soldado Gonçalves, como era denominado, esteve no Comando Geral, em Cuiabá, para entregar a farda e assinar seu desligamento da corporação.

Lotado inicialmente em Alta Floresta (780 km de Cuiabá), onde mora e serviu por dois anos, Gonçalves foi transferido para Paranaíta, a uma distância de 62 quilômetros.

A transferência, mesmo imposta, não seria a principal causa da demissão. O baixo salário e a sobrecarga de trabalho, diz, foram os itens que mais pesaram. Com um salário bruto de R$ 2.366, Gonçalves observa que recebia líquido cerca de R$ 1.900 para trabalhar em regime de 24 horas de trabalho por 24hs de descanso.

Casado e com um filho de dois anos, o ex-soldado percebeu, segundo ele, que com o salário de policial não teria como manter duas casas, da família em Alta Floresta, e a dele, em Paranaíta.

Quando ingressou na carreira, Renan Gonçalves, que antes era jogador de futebol, acreditava que poderia ascender na carreira.

“Vi que praticamente não existem chances, que são necessários, no mínimo, 12 anos para sair de soldado para cabo”, observou. Convidado pelo irmão, Gonçalves escolheu atuar em uma escolinha de futebol que está sendo criada em Alta Floresta.

De acordo com o vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados, Joelson Fernandes do Amaral, os baixos salários estão fazendo a PM perder policiais. Além das demissões espontâneas, há aposentadorias e exonerações disciplinares, somando uma média de 250 desligamentos ao ano. Os concursos públicos, pondera, não conseguem repor o efetivo.

Joelson reconhece o clima de insatisfação vivido pelos PMs, mas explica que está sendo elaborado o plano de cargos e carreira que deve ser apresentado ao governo até o dia 10 de fevereiro.

Há alguns meses, os próprios policiais lançaram campanhas de mobilização por menores salários, espalhando outdoor e mensagens nas redes sociais. “Não queremos continuar com o quarto pior salários do país”, completa o cabo Elizeu Nascimento, um dos líderes da campanha.

 

Escrito por Alecy Alves

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