30/01/2015 - Polícia prende quatro envolvidos em ataques a ônibus em Cuiabá

A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil, anunciou, na tarde desta quinta-feira (29), a prisão de dois rapazes e a apreensão de dois menores acusados de incendiar dois ônibus coletivos da empresa Norte Sul, em Cuiabá, no começo desta semana.

Rubens Naldo Cândido Moreira, 25 anos, conhecido por "Roni", Luiz Wellington Gusmão de Souza, 19 anos, e dois adolescentes de 17 anos são apontados como os criminosos que atearam fogo nos dois veículos, na noite de segunda (26) e terça-feira (27), no bairro Voluntários da Pátria, na região do Pedra 90.

Segundo o delegado Diogo Santana Souza, todos os envolvidos são moradores do próprio bairro e o crime ocorreu a mando de Roni, com o objetivo de ganharem destaque no meio criminoso. 

No bairro, o rapaz é conhecido como um homem violento e já tem passagem por homicídio.

“Tudo foi ideia do Roni. Ele mandou os colegas praticarem os atos de vandalismo para se promover no mundo do crime, pois são criminosos de pequena monta”, disse o delegado Souza.

De acordo com o policial, os primeiros apreendidos foram os dois menores, que moram próximo ao local onde houve os incêndios. Eles foram delatados por meio de denúncias anônimas. “Houve denúncia da população através do 190 que foi primordial para encontrarmos os envolvidos”.

Em depoimento, os adolescente confessaram a participação nos crimes e afirmaram que Roni foi o responsável por planejar toda a ação, enquanto eles, com Luiz Wellington, apenas executariam o crime.

Para isso, o trio receberia R$ 3 mil. “Ele prometeu um dinheiro aos menores que nunca foi pago”, disse o delegado.

Segundo ele, os menores revelaram ainda o possível local onde Roni e Luiz Wellington estariam, pois eles fugiram do bairro desde que a operação integrada - que uniu as agências de Inteligência de todas as forças da Segurança nas investigações do caso - teve início.

“Os mais velhos são os mais espertos. Assim que começamos a operação, eles fugiram do bairro. O depoimento dos menores e de moradores nos levou até a casa onde eles estavam escondidos”, afirmou.

A dupla foi localizada em uma residência no bairro Parque Atalaia. No local, foram encontrados uma pistola 380, pouco mais de meio quilo de maconha, 260 gramas de ácido bórico, uma balança de precisão, além de uma garrafa pet e um galão, usados no incêndio.

Status

No depoimento, segundo o delegado Diogo Souza, os rapazes confessaram que o crime tinha o único objetivo de “obter status junto aos criminosos da região”, e negaram que o ocorrido tenha qualquer relação com o reajuste da tarifa do transporte ou que tenha sido orientado por presidiários.

“As hipóteses foram abandonadas assim que a equipe de inteligência da Polícia Civil assumiu as investigações. O sistema de inteligência do presídio afirmou que essa possibilidade era improvável. Nós, então, seguimos por outro caminho que culminou na prisão dos responsáveis”, disse o delegado.

Roni e Luiz Wellington vão responder por roubo, dano qualificado, incêndio majorado, associação criminosa, tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Eles serão levados para uma unidade prisional da Capital.

Já os adolescentes responderão por atos infracionários análogos aos crimes cometidos pelo bando e serão encaminhados para o Centro Socioeducativo de Cuiabá.

Para o secretário de Segurança, Mauro Zaque, a ação conjunta das policiais cumpriu o seu papel. “Nós demos o recado de que aqui não vamos tolerar essas atitudes”, disse.

Más companhias

A mãe de um dos menores, que preferiu não se identificar, disse ao MidiaNews que não sabia da participação do filho no crime e que foi surpreendida com apreensão do filho.

“Eu estava no trabalho quando recebi a ligação da minha filha, de que a polícia estava lá em casa, e logo falei com minha patroa, que me trouxe aqui. Desde as 9h, estou esperando e não consegui ver ele e nem conversar com ele”, disse.

No momento em que o filho era apresentado na delegacia, a mãe estava do lado de fora do local, sentada na calçada, a espera de notícias do rapaz.

“Ele não tem passagem pela polícia e eu nem sabia dessas amizades. Apesar de não estudar e ficar em casa, ele não é um menino ruim. O problema são as más companhias”, lamentou.

 

 

 

Karine Miranda 
Da Redação

 

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