30/03/2012 - Índios ameaçam bloquear rodovia em Nova Nazaré

 

Os Índios Xavantes de cinco aldeias da Terra Indígena Areões poderão bloquear a rodovia MT326 conhecida como Rodovia do Calcário e não for atendida uma série de reivindicações. Ao Água Boa News o indígena Arí Marahio (que é vereador pelo segundo mandato em Nova Nazaré) e seu pai o cacique da aldeia Tritopá Édson Tumussu informaram que a rodovia poderá ser bloqueada já a partir de amanhã (30.03), caso não consiga as  melhorias solicitadas pela comunidade. O local do bloqueio será na entrada da aldeia Tritopá a 13 km de Nova Nazaré e a 04 da Balsa. Segundo os líderes indígenas cerca de 500 índios das Aldeias Tritopá, Piqui, Campo Alegre, Pedra Branca e Tangará estão unidos para dar suporte ao protesto.

“A comunidade está passando fome mesmo. Ainda não trancamos a rodovia por que o empresário Dário Salazar (proprietário de uma das Balsas do Rio das Mortes) está pedindo para não trancar e tem nos ajudado com alimentação” disse o vereador.

Agora a pouco às 11h30 desta quinta (29) os índios estavam em Água Boa em um caminhão fretado já com  alimentos doados pelo empresário Dário Salazar e foram até os escritórios das mineradoras de calcário Serra Dourada e Roncador em busca de ajuda, onde foram recebidos pela empresária Neila Godinho. Segundo a empresária os problemas dos índios são inúmeros e o paliativo não resolve. “Temos que encontrar uma solução com os órgãos competentes para buscar solução definitiva”...

 

Segundo o empresário Dário Salazar ele tem ajudado os índios com combustíveis e alimentos mais as necessidades deles são muitas.

“Eles só não fecharam a rodovia por que estou ajudando. Se trancar a Rodovia os prejuízos são incalculáveis, mesmo em início da safra do calcário, já estão passando pelo local cerca de 250 carretas por dia. Sozinho eu não dou conta”. Disse em entrevista ao Água Boa News.

O cacique Édson disse que na área da aldeia Tritopá “não tem mato para plantar roças às terras são muito arenosa e com isso ficamos dependentes da caça e peixes que estão cada vez mais escassos, temos que ter dinheiro para ir buscar alimentos na cidade”.

As necessidades reivindicadas pelos índios são reforma de um caminhão F4000 que está cerca de três anos parado; 3.000,00 em gêneros alimentícios e conserto de estradas que dão acesso às aldeias. Como o  caminhão quebrado, para a comunidade se deslocar para a cidade precisa de pagar frete.

A reportagem apurou que os índios que tem aposentadorias e os que são assalariados estão ‘atolados’ em dívidas a perder de vista. Eles fazem empréstimos gastam o dinheiro tudo no mesmo dia e depois o que resta não da nem para a alimentação.

 

Escrito por Kassu / Água Boa News   

 

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