30/04/2014 - Políticos, autoridades e vítimas de demarcações participam de audiência sobre a PEC 215 na Assembleia

O auditório da Assembleia Legislativa de Mato Grosso ficou lotado na manhã desta segunda-feira, dia 28, durante a audiência pública que discutiu o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 215. Entre os presentes, mais de 50 pessoas que foram despejadas da área de 166 mil hectares da antiga fazenda Suiá Missu, na divisa de Alto Boa Vista com São Félix do Araguaia, além de deputados, senadores e representantes de classe

O projeto retira da Funai o poder de exclusividade nas demarcações de novas áreas indígenas, passando a prerrogativa para o Congresso Nacional. O deputado federal Nilson Leitão (PSDB) é um dos maiores defensores da PEC, para ele o que a Funai fez nas últimas demarcações fere a Constituição Federal. "É um desrespeito a Funai não participar desta audiência, lembrando que eles foram convidados, mas parece que fogem do debate. Não estar aqui hoje é um desrespeito com a classe produtora e principalmente com quem foi desalojado de suas casas nas ações movidas por ela", disparou Leitão.

Já o Senador Pedro Taques (PDT) disse que como procurador conheceu o processo da Suiá Mussi e sabe que os produtores foram enganados. "Sei que as famílias da Suiá foram enganados. Nunca vi um produtor dizer que quer matar um índio, o que eles querem é segurança jurídica para produzir e dignidade para viver", enfatizou o congressista.

O deputado federal Eliene Lima (PSD) foi além e disse que a interesses obscuros nestas demarcações. "Existe uma orquestração de ongs e interesses escuros que fazem movimentos a favor deste tipo de ação. A Pec 215 vem democratizar as demarcações", comentou o federal, que recebeu o reforço de Leitão, dizendo que a ausência da Funai mostra falta de interesse do governo federal. "A Funai não vem pro debate porque o governo é contra a democratização".

O apresentador João Batista, do Canal Rural, esteve na audiência e se emocionou ao saber das mortes que ocorreram em decorrência do processo de desocupação. "O governo precisa entender que suas ações refletem na vida das pessoas, é inadmissível o que fizeram na Suiá. Com as famílias da Suiá", lamentou o apresentador, que teceu elogios ao Agência da Notícia pelo trabalho desenvolvido durante todo o processo. "O Brasil precisa disso, uma imprensa corajosa e livre" destacou João Batista.

O Diretor do Agência da Notícia, Ari Dorneles também falou sobre a situação e como a imprensa trabalha para cobrir esses abusos cometidos pela FUNAI."Nós estivemos presentes em todos os momentos da desintrusão, desde que o trabalho para expulsar o povo começou, vimos as arbitraiedades cometidas, e fomos coagidos, um exemplo é a intimação da Polícia Federal para a jornalista Camila Nalevaiko depor. Com certeza isso também é uma forma de intimidar. O que vamos depor na PF estamos simplesmente mostrando o que acontece, mas parece que até isso as autoridades querem proibir", disse Ari Dorneles.

A audiência foi dirigida pelo deputado federal Nilson Leitão, elas irão ocorrer por todo o Brasil. A primeira delas foi em Santa Catarina, e agora foi a vez de Mato Grosso receber o evento. Estiveram presentes ainda o Senador Jayme Campos (DEM), o presidente da Famato, Rui Prado, o prefeito de Luciara, Fausto Azambuja, e o presidente da Aprossum, Sebastião de Prado, que não poupou críticas aos responsáveis pela demarcação no Norte Araguaia.

"Os crimes ocorridos na Suiá foram dolosos, porque os envolvidos sabiam o que iria acontecer. Além da Funai, o Conselho Indigenista do Brasil, que é o braço marginal da Igreja Católica tem responsabilidade sobre o que ocorreu. E agora cade eles que não estão aqui", questionou Prado.

 

 

Fonte: Agua Boa News

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