30/06/2011 – 08h:10 Justiça condena ex-PMs a 16 anos de prisão por assassinato em Cuiabá

Hércules e Célio teriam assassinado empresário em Cuiabá.
Eles foram condenados em julgamento nesta tarde na capital de MT.

A juíza Mônica Catarina Perry, que preside o Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou na tarde desta quarta-feira (29) a 16 anos de prisão, em regime fechado, os ex-policiais militares Hércules Araújo Agostinho e Célio Alves de Souza, pelo assassinato do empresário Mauro Sérgio Manhoso, em 2000, na capital. As defesas dos réus podem recorrer da decisão.

O empresário Mauro Manhoso foi assassinado com nove tiros em outubro de 2000, no centro de Cuiabá. As investigações apontaram que o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro teria pago R$ 8 mil para que Célio e Hércules executassem o empresário. Os ex-policiais militares negaram envolvimento no crime e foram condenados por homicídio qualificado.

Hércules já cumpre pena de mais de 117 anos de prisão por vários crimes cometidos em Mato Grosso. Célio Alves também havia sido condenado a 82 anos de prisão em regime fechado também por vários homicídios. Os dois ainda respondem na justiça por outros assassinatos.

Caso Manhoso

De acordo com as investigações da polícia, o crime aconteceu na capital quando a vítima tentava implantar uma espécie de loteria. O processo aponta que João Arcanjo Ribeiro, que é acusado na Justiça por comandar o jogo do bicho na capital, teria encomendado o assassinato de Manhoso para que não tivesse concorrência no jogo ilegal. O ex-bicheiro João Arcanjo deve ser julgado pelo mesmo crime em outra data, ainda não definida.

Conforme os autos, Manhoso era o proprietário de uma empresa, cuja atividade era desenvolver sistemas para sorteios eletrônicos e bingos. Nos meses que antecederam a morte dele, Manhoso estava montando um sistema de jogo denominado ‘raspadinha’.

A atividade, direcionada para o jogo, não agradou o ex-bicheiro que detinha o monopólio dos jogos ilegais no estado e não permitia que terceiros ocupassem espaço. Para eliminar o concorrente, ele teria contratado o serviço de pistolagem de Hércules Araújo e Célio Alves, conforme denúncia do Ministério Público Estadual (MPE).

Arcanjo também foi denunciado por mandar matar o empresário Domingos Sávio Brandão, assassinado a tiros em 2002. Sávio era empresário e dono do jornal Folha do Estado, que fazia denúncias contra Arcanjo.

Defesa

O advogado Valdir Caldas, que fez a defesa do ex-policial militar Célio Alves, disse que vai recorrer da decisão e que irá pedir a nulidade do julgamento. Segundo o advogado, foram levados em consideração no julgamento outros fatos que não estão relacionados diretamente com o caso em análise. Já o advogado de Hércules, Jorge Godoy, ainda não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.

Histórico

Os ex-policiais Hércules e Célio foram presos em 2002 durante a Operação Arca de Noé, da Polícia Federal. Porém, eles fugiram pela porta da frente da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Hércules Agostinho foi recapturado em 2003 e Célio Alves foi encontrado pela polícia somente em 2007. Na sequência, eles foram encaminhados para o presídio federal de segurança máxima, em Campo Grande (MS). Neste ano eles retornaram para a penitenciária em Mato Grosso onde estão cumprindo pena.

Do G1 MT

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