30/06/2011 - 17h:00 Imprensa de MT legitima arbitrariedade da justiça em favor do governo estadual

Aqui em MT a imprensa vive debaixo da saia do governo. É difícil encontrar um veículo de comunicação que expresse uma opinião diferente daquela que é divulgada pelo Estado. Exemplo disso é cobertura da greve dos professores. Olha só o titulo da matéria divulgada no site do G1 da TV Centro América, afiliada da rede Globo: “Professores de MT contrariam justiça e decidem manter greve na educação”. Só pelo titulo já dá para imaginar o que vem pela frente. No primeiro parágrafo outra frase pejorativa e persuasiva: “Os profissionais estão em greve desde o dia 6 de junho, deixando mais de 445 mil alunos fora das salas de aula no estado”.

Voltando um pouco no tempo, há alguns meses o JN (olha a rede Globo de novo) fez uma série de reportagens sobre a situação da Educação no Brasil. Não sei se vocês notaram, mas em todas as reportagens aparecia um “especialista em educação” e sempre o cara dizia que a culpa era dos professores. Perai? Que história é essa? Quem é esse especialista? Será que ele alguma vez na vida estudou em escola pública? É típico da imprensa jogar a culpa nos trabalhadores. Eles sempre aparecem com um especialista dizendo que “é falta de motivação, de comprometimento”. Mas nunca a culpa é do governo.

O que se nota também é a utilização da disciplina para modelar a massa social e abafar as ações dos movimentos sociais. Em momentos como esse é preciso relembrar que escola é um espaço criado pelo sistema. A gente estuda o que eles acham que a gente precisa saber para viver em uma sociedade capitalista. E Foucault diz que a disciplina é conjunto de “métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõe uma relação de docilidade-utilidade”. Ou seja, o sujeito vai sendo formado conforme as limitações que lhe são impostas.

E a disciplina, de uma forma geral, assegura que essas relações continuem da forma que agrade ao estado, as grandes corporações, aos políticos sujos e todos aqueles que lucram com a miséria humana. E dentro desse complexo sistema que aniquila e cala todas as vozes que se levantam contra as formas de poder constituídas está a figura do professor. Ele é um refém. Trabalha para um patrão injusto que não lhe valoriza e ainda lhe coloca nas costas o papel de “salvador da pátria”- como denunciou a professora Amanda do Rio Grande do Norte.

E quando “aparecem” as greves de professores a sociedade sai em busca dos direitos dos alunos e o professor se torna um profissional irresponsável. E ai entra a mídia novamente, disseminando essas ideias ditatoriais do patronato (des)informando pessoas que dificilmente vão entender o que realmente está acontecendo.

Os professores de MT querem o que qualquer profissional quer: respeito, condições dignas de trabalho, mais profissionais, pagamento das horas atividades e mais recursos para o setor. Por exemplo, aqui no Araguaia, muitas escolas estão quase caindo sobre a cabeça dos alunos. E o professor ainda faz o papel de pai, de psicólogo e não tem direito nem de comer a merenda da escola.

Você acha justo que o um governo que é obrigado a gastar 60% dos recursos da Educação com folha de pagamento, gaste menos de 56%? Que fim está levando esses 4%? Você sabia que ai em MT qualquer servidor público estadual de nível médio ganha mais que um professor com formação superior? Pra não falar outra coisa termino esse parágrafo sem dizer nada. Porque a única palavra que caberia aqui é um palavrão.

O que esta acontecendo em MT é uma vergonha. O governador, Silval Barbosa, PMDB, se recusa a negociar com a classe. Ele teve a coragem de marcar uma reunião e na última hora disse que não compareceria por “problemas na agenda”. Percebe como é a relação patrão/empregado?

E a mídia em cima. Noticiando tudo, claro que a favor do estado. Utilizando os mecanismos da aplicação da disciplina. Para comprovar isso é só analisar como são noticiadas as manchetes.

Mas o professor é um guerreiro. Porque não é qualquer um que tem coragem de desafiar essa ditadura disfarçada que eles colocaram o nome de democracia. Os professores resolveram continuar mesmo com as intimidações do governo e de seus aliados (judiciário e imprensa). Pois a paralização é um dos únicos momentos em que o ser humano que esta inserido dentro de um modelo capitalista pode mandar a disciplina pra casa do chapéu e gritar nas ruas suas reivindicações.

Um abuso de poder - como pode ser considerada essa liminar que o considerar a partir de hoje(29/06) a paralização um ato ilegal - é divulgado como uma vitória de toda a sociedade. “Agora sim os professores vão voltar pra sala de aula”. E a justiça ainda ordena retaliações. A liminar diz ainda que o SINTEP vai ter que pagar uma multa de R$ 50 mil reais por dia pelo “desrespeito” a ordem judicial. E a imprensa noticia como um ato irresponsável da

categoria. “Afinal de contas pra que continuar uma greve que até multa gera”?

Infelizmente não se pode esperar muito da imprensa convencional. Cada notícia que sai fica mais nítido o interesse dos donos dos grupos. O jeito é divulgar pelos meios alternativos e livres como a internet.

Vamos apoiar os professores de MT. O governo está usando de seu poder para intimidar a classe. A GREVE CONTINUA. SILVAL A CULPA É SUA

*Rizza Matos é jornalista, tem 24 anos, atualmente mora em Luciara e sempre estudou em escola pública.

Rizza Matos

Comentários

Data: 01/07/2011

De: Euripedes tavares dos santos

Assunto: parabéns..

Rizza mais um vz parabéns pra vc to com vc e assino embaixo no que vc muito bem escreveu, é um vergonha esta emprensa que não preza pela boa informaçao e sim em defender Governador, e faz cada matéria,de todas que vi todas com ele.mais são chamadas matérias paga, a sua fala a realidade, seja sempre assim,pois o Pai do universo estará sempre contigo, que Deus te proteja.

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