30/08/2016 - Nadaf faz 2ª confissão e diz que Silval repassava propina ao filho

30/08/2016 - Nadaf faz 2ª confissão e diz que Silval repassava propina ao filho

O ex-secretário de Administração, Pedro Elias de Mello, está sendo ouvido desde às 10h15 desta segunda-feira (29) em audiência de instrução e julgamento da 2ª ação penal decorrente da Operação Sodoma, na 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Um dos delatores do "propinotudo" existente na gestão Silval Barbosa (PMDB), ele começa o depoimento admitindo recebimento de propina para manter o contrato com a empresa Consignum.

Na sexta-feira (26) prestou depoimento na mesma ação o ex-secretário de Administração, César Zílio, que confirmou ter sido "operador do esquema" e que recebeu R$ 8,8 mi em propina de 3 fontes. Zílio ainda garantiu que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) "embolsava" 70% de todo dinheiro desviado dos cofres públicos e de propinas.

A juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara, também pretende ouvir nesta segunda-feira o ex-secretário de Indústria e Comércio e da Casa Civil, Pedro Nadaf e Bruno Sampaio Saldanha, mabos réus na ação penal   Em audiência anterior relativa à 1ª ação penal decorrente da Operação Sodoma, Nadaf começou a revelar detalhes do esquema que resultou na deflagração de 3 fases da Sodoma. Agora, Pedro Nadaf será interrado na 2ª ação penal e ao final sua defesa vai pedir a regogação de sua prisão preventiva. 

A promotora de Justiça, Ana Cristina Bardusco, e advogados dos demais réus - 17 no total - também fazem questionamentos aos depoentes. Apesar de delatores, os ex-secretários César Zílio e Pedro Elias foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Acompanhe os principais momentos da audiência.

17h20 - Ex-fiscal de contrato nega ter exigido dinheiro de empresário. O réu Bruno Saldanha, que à época era o fiscal do contrato que a empresa Web Tech mantinha com o Estado, começa a ser ouvido. Acusado de ter recebido R$ 25 mil do empresário Júlio Minori Tisuji, dono da Web Tech Softwares e Serviços Ltda, abre o depoimento afirmando que a acusação contra ele é falsa. Garante que nunca solicitou qualquer valor para fazer apontamentos ou deixar de desempenhar sua função envolvendo o contrato da empresa de Julio, o qual ele era fiscal. "Jamais exigi vantagem indevida", garante ele ao explicar que o objeto do contrato era recuperação de créditos e ele sempre desempenhou sua função.

Ele é acusado de ter exigido e recebido vantagem indevida fazendo uso da sua condição de servidor designado para responder pela gestão, acompanhamento, fiscalização e avaliação da execução de um contrato de 2011 da extinta Secretaria de Administração (SAD) firmado com a empresa Webtech na gestão de Silval Barbosa (PMDB).

Bruno, quando foi denunciado e virou réu na ação penal em maio deste ano já não era mais servidor público estadual. Ele era funcionário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas foi exonerado logo em seguida, ainda em abril, após o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. No TJMT, estava lotado num cargo comissionado ocupando a função de gerente de expediente de 1ª e 2ª Instâncias com salário mensal de R$ 10,4 mil.

17h16 - Termina o interrogatório de Pedro Nadaf que continua preso. Existia a expectativa de que sua defesa fosse pedir a revogação da prisão preventiva ao término do depoimento, o que não ocorreu. O advogado William Khalil explicou que vai pedir a liberdade de Nadaf, porém, de forma escrita, oficializada em nova petição a ser anexada aos autos.  

17h10 - Na volta do intervalo os advogados Valber Melo e Ulisses Rabaneda, defensores do ex-governador Silval Barbosa questionam Pedro Nadaf. Ele responde que Silval tinha conhecimento de que sua empresa, a NBC Assessoria, Consultoria e Planejamento, era utilizada para lavar dinheiro da propina para dar legalidade aos valores obtidos de forma ilegal. Nadaf volta a reafirmar que os valores de propina começaram a ser levantados para custear despesas de Silval e também de seu grupo político. Se limita a dizer apenas isso e opta por ficar em silêncio. 

16h45 - Depois de mais uma série de perguntas feitas por advogados a Silval, a magistrada concede um intervalo de 15 minutos. 

16h10 - Sobre o ex-prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães, o réu Pedro Nadaf revela poucos detalhes, mas confirma que ele recebeu dinheiro de propina por meio de gráficas apontadas por ele para que o Estado fizesse a adesão a um pregão de prestação de serviços gráficos. Ele confirma que as gráficas não prestaram os serviços, mas receberam. Anteriormente, o ex-secretário César Zílio revelou que foram pagos mais de R$ 4 milhões para a Integraf de Evandro Gustavo Pontes da Silva e Gráfica e Editora de Liz, de propriedade de Antônio Roni de Liz também réus na ação penal. 

Nadaf também volta a dizer que César Zílio tinha a função de arrecadar dinheiro para o grupo a fim de custear despesas e compromissos políticos. 

16h - Pedro Nadaf volta a reafirmar que Silvio Corrêa fazia intimidações e ameaças de morte. "Dentro do Centro de Custódia ele falou que quem tivesse fazendo delação não ia passar de um ano", diz Nadaf mantendo a mesma versão já relatada no dia 15. No governo, Nadaf revela que Silvio "sempre foi uma pessoa muito arrogante, muito bruto no trato com os demais secretários". Ele gostava de intimidar durante as reuniões da organização criminosa, querendo dizer que se não obedecesse o combinado ou rompesse o que fosse acordado estaria correndo qualquer risco de vida. "Ele chegou a usar outros termos como vocês querem amanhecer com a boca cheia de formiga, então fiquem ai fazendo isso”, conta Pedro Nadaf. 

15h45 - Sobre a participação no esquema Karla Cecília de Oliveira Cintra, sua ex-assessora especial, Pedro Nadaf ameniza a situação dela. "Uma parte da propina que eu recebia eu repassava, uma do seu João(Batista Rosa) eu repassei a ela que recebeu R$ 120 mil nesses repasses, mas pagou contas minhas. A participação dela era menor, mas tinha participação na organização", disse Nadaf.

15h38- Nadaf vai restituir dinheiro usado para comprar gado. O ex-secretário chefe da Casa Civil segue detalhando sua participação na quadrilha bem como a atuação dos demais membros. Agora revela os negócios que mantinha com César Zílio envolvendo a compra e venda de gado. Confirma que comprou os 1,2 mil animais de Zílio usando dinheiro de propina. Garante que vai devolver tudo ao Estado. Ele confirma que a origem de diversos cheques de diferentes empresas usados na compra do gado eram todos provenientes de "atos ilícitos". 

15h30 - Pedro Nadaf também confirma que o empresário e Médico Rodrigo da Cunha Barbosa, filho de Silval também integrava a quadrilha. “O Rodrigo que veio a fazer parte da ornganização, eu o via sempre no Palácio. Presenciei o pai entregando propina ao Rodrigo, por mais de 2 vezes. Em uma delas, eu entreguei a propina ao governador e ele repassou imediatamente ao filho, mas vou me reservar ao direito de não dizer de onde veio essa propina”, revela. Pedro Nadaf conta que também presenciou Silval Barbosa autorizando o filho a pegar dinheiro de propina guardado no armário do banheiro de seu gabinete no Palácio Paiaguás.

15h22 - Pressão por mais dinheiro ilegal era constante. Pedro Nadaf segue explicando a participação de cada um dos membros na quadrilha e confirma detalhes que ele já revelou na primeira confissão feita no dia 15 de agosto. “A minha participação era no sentido de articular com os demais membros, levantamento de recursos para a gestão do governo. Eu estava mais ligado ao Marcel ao Chico Lima, ao governador e algumas outras pessoas que não aparecem aqui e vou me reservar em não fazer as colocações aqui". Ele revela ainda que a pressão por dinheiro ilegal a fim de custear dívidas pessoais e de compromissos políticos era constantee. “Sofríamos pressão por dívidas quase que diariamente e tínhamos que produzir atos ilícitos além de outras propinas para levantar recursos”, revela. Ele também confirma que Marcel de Cursi, ex-secretário de Fazenda,  fazia parte da quadrilha e auxiliava na elaboração de leis que beneficiavam a organização para dar legalidade a transações realizadas no interesse de angariar recursos para custear despesas da quadrilha. 

15h15 Zílio também orientava Nadaf sobre fontes de buscar propina e passou a enganar Silval. Nadaf revela que também era orientado por César Zílio sobre algumas formas de levantar dinheiro ilegalmente. Cita como exemplo o caso de contratos com gráficas, fato que já foi investigado e Nadaf virou réu numa ação por improbidade administrativa. Revela que a saída de Zílio da Secretaria de Estado de Administração foi pelo fato de ele ter "enganado o governador". Por isso foi transferido para a MT-PAR. "O governador chegou até mim e disse olha: preciso silenciar o César, vou deixar ele de stand by por mais um tempo no MT-PAR e assim consigo atender o PMDB que está me forçando muito por espaço. Que assim a entrada do Francisco Faiad (PMDB) no governo", revela Nadaf. 

15h10 - Silvio tinha carta branca e muitos poderes na organização. "Silvio era uma espécie de porta-voz do governador a todos os demais membros que faziam parte da organização. Ele tinha uma forte atuação na Secretaria de Administração com uma acendência", afirma Nadaf ao comentar sobre o poder que Silvio Corrêa Araújo, à época chefe de gabinete de Silval Barbosa tinha dentro da quadrilha. "Com esse poder paralelo ele passava a despachar diretamente com o secretário de Administração sobre os contratos e valores de propina já acordados e pré-definidos por eles", enfatiza Nadaf. 

 15h - Nadaf abre depoimento confessando crimes. "A acusação é verdaeira. Cometi fraudes e delitos contra o Estado e quero reiterar meu pedido de desculpas por isso, por ter participado dessa organização criminosa", destaca Nadaf que começa fazendo outra confissão a exemplo do que já tinha feito na 1ª ação penal derivada da Operação Sodoma. Ele segue explicando para a juíza Selma Rosane que os delitos que ele cometeu foi de cobrar de empresários propinas para levantar recursos e custear pagar saldos financeiros de campanha, pagamento de dívidas e passivos que ficaram. "A organização passou a saldar esses déditos", reafirma ele descrevendo os crimes investigado na 2ª fase da Operação Sodoma. "Tíhamos uma atuação em tudo aquilo que levantamamos pra pagar a díviada. Depois que as dívidas eram pagas era feito um rateio entre os valores que sobravam. Cada um tinha uma participação nesse dinheiro dentro de sua participação naquele delito". 

13h45- Termina o interrogatório de Pedro Elias. O próximo a ser interrogado é o réu Pedro Nadaf. 

14h35 - José Riva tinha poder para pressionar Silval Barbosa. "Sim senhor, o Riva tinha poder para pressionar o governador do Estado", afirma Pedro Elias ao explicar ao advogado Mário Sá, defensor do ex-deputado estadual, a participação do ex-parlamentar na cobrança e recebimento de propinas. Lembra que um dos motivos era porque o então governador Silval Barbosa tinha dívidas com Riva. O próprio empresário Willians Paulo Mischur, da empresa Consignum, que pagou mais de R$ 17 milhões para a quadrilha, revelou para Pedro Elias que Silval tinha dívidas com Riva e por isso teria sido orientado a repassar parte da propina diretamente para Riva. Pedro Elias afirma que se reuniu com Riva em 3 ocasiões diferentes para tratar da propina pagar por Mischur à organização criminosa. Uma das reuniões, segundo Pedro Elias, foi realizada na casa de Riva onde ele pressionou Mischur a efetuar o pagamento da propina para ele. Isso porque num dado momento o contrato da Consigunum passou a ser de Riva. Ou seja, o empresário deveria pagar a propina diretamente ao ex-secretário e nao mais a Silval Barbosa. 

14h30 - Pedro Elias integrava o 3º nível da organização criminosa. Isso, segundo ele, era definido pela atuação de cada um dos envolvidos. “Tinha gente que dava ordem, tinha gente que obedecia ordens. Eu não dava ordens, não decidi percentual, não decidi nada sobre valores. Eu só pegava o dinheiro e repassava", esclarece ele ao responder questionamentos do advogado Leonardo Moro Bassil Dower, defensor de Silvio Cézar Corrêa a respeito da hierarquia existente na organização. 

14h20 - A juíza Selma Rosane afirma não visualizar qualquer irregularidade na postura dos delatores durante os interrogatórios. Afirma que somente os fatos que estão na denúncia do Ministério Público é que precisam ser esclarecidos na audiência. Enfatiza que fatos que ainda estão em sigilo e sendo investigados não precisam mesmo ser esclarecidos pelo delator uma vez que não estão na denúncia do MPE. 

14h10 - Advogados querem ter acesso ao inteiro teor de delações. João Nunes da Cunha cobra que a juíza Selma Rosane exija que todos os acordos de delação premiada sejam anexados ao processo, pois sustenta que os delatores estão selecionando trechos e alguns fatos para relatar em juízo. Para ele e outros advogados, isso dificulta as estratégias das defesas. Valber Melo concorda em parte com o pedido de Cunha argumentando que os delatores não estão revelando todos os detalhes dos depoimentos já prestados aos responsáveis pelas investigações. Selma Rosane argumenta que parte dos questionamentos já foram levantados na audiência da última sexta-feira (26) e que neste momento ela não vai analisar tais pedidos. 

A promotora Ana Bardusco rebate os advogados e diz que a delação de Pedro Elias não foi "fatiada" como afirmam os juristas. Reafirma que alguns fatos ainda estão sendo investigados sob segredo de Justiça. "Não estamos selecionando", garante ela. "Estamos falando de uma organização criminosa que atuou por 4 anos de forma ininterrupta e o Ministério Público tem o dever de apurar", garante ao explicar que são diversos fatos que ainda precisam ser esclarecidos", pontua Bardusco. Ela diz não ver prejuízo para as defesas uma vez que o que está sendo julgado é a conduta da organização criminosa. 

13h50 - Pedro Elias disse não saber esclarecer qual era a função de Marcel de Cursi na organização criminosa.

13h39 - Depois de uma pausa para o almoço o interrogatório é retomado. Pedro Elias é questionado pelos advogados do réu e ex-secretário de Fazenda, Marcel Souza de Cursi. Pedro Elias responde que nunca se reuniu com Cursi e nunca repassou propina a ele. O ex-secretário-adjunto da SAD segue respondendo aos questionamentos do advogado Marcos Dantas e relata sobre alguns encontros que ele presenciava entre os membros da organização. 

Pela manhã, Pedro Elias foi indagado pela promotora Ana Bardusco e advogados presentes na sala de audiência. Ele chorou em vários momentos do interrogatório, cofirmou que integrava a organização criminosa, mas agora negou que tenha acusado Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador Silval Barbosa de ter extraviado documentos importantes que poderiam ajudar nas investigações conduzidas pela Delegacia Fazendária (Defaz). Afirmou no entanto, que ele recebia a propina e repassava 85% dos valores para Rodrigo e ficava com os outros 15%. Relatou que recebia propina do empresário Júlio Minori Tisuji, dono da empresa Web Tech Softwares e Serviços Ltda e repassava ao filho do governador. "Fiz isso três vezes", disse Pedro Elias. 

Ele tabmém disse, que indiretamente, nunca foi ameaçado por Silvio Cézar Corrêa Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa que é apontado por delatores como um membro da quadrilha que agia intimidando outros membros da organização e empresários vítimas do esquema de cobrança de propina mediante extorsão e ameaças. 

 

 

Welington Sabino, repórter do GD

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