30/08/2016 - Mãe de criança morta após ingerir achocolatado depõe e classifica como cruéis os boatos sobre drogas

30/08/2016 - Mãe de criança morta após ingerir achocolatado depõe e classifica como cruéis os boatos sobre drogas

“Além de viver com a dor de perder meu filho, tenho que conviver com boatos de que eu sou usuária de drogas, de que eu o matei, de que meu marido usa crack. É cruel. No outro dia cedo, depois do enterro, a TV estava batendo na minha porta querendo que eu gravasse. Respeitem minha dor.” É assim que D.C.S, 28, mãe da criança de dois anos morta após a ingestão de uma bebida achocolatada, descreveu ao Olhar Direto  o momento que está vivendo. Ela esteve com o marido na Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Dedica), na manhã desta sexta-feira (29), onde ambos prestaram depoimento.
 

O caso foi registrado na quinta-feira (29), depois que seu filho, R.C.S.S, 02 anos, ingeriu o produto da marca Itambé, por volta das 9 horas, na residência da família, no bairro Parque Cuiabá. A situação veio a tona após o lote da bebida, ter sido interditado pela Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso.

Abalada, D.C.S, que também é mãe de uma garota de três ano, contou ao Olhar Direto que prefere não ser leviana e acusar a marca, uma vez que os filhos já haviam consumido o produto outras vezes e nenhum efeito atípico foi observado. No entanto, ressaltou que buscará descobrir a verdade, em justiça ao filho. “Se foi culpa da marca ou não, quem perdeu foi meu filho, que era um anjinho na Terra. Ainda não temos como saber, por isso prefiro não falar sobre isso agora. Vamos aguardar o resultado do laudo e esperar por justiça.”

Ela e o marido, que vendem espetinhos na cidade, explicam que foram orientados pelo delegado Eduardo Botelho, responsável pelo caso, a preservarem a investigação para que o andamento não seja atrapalhado. Assim, a autônoma se limitou a dizer que estava dormindo no momento em que filho passou mal, e que o produto foi entregue a ele pelo pai, depois que o menino pediu para mamar.

D.C.S também se defendeu das acusações de que seria usuária de drogas. “Olha pra mim moço, você acha que eu uso droga? Eu posso provar com exame se for preciso. Se você entrar na minha casa, vai ver que lá tem de tudo, geladeira, móveis, televisão. Casa de drogado não tem nada, eles vendem tudo pra poder comprar a droga. É uma crueldade isso que estão fazendo com a gente. Estamos sofrendo.”

Munida com fotos e vídeos com a criança, ela reforçou o bom relacionamento que mantinham e lembrou o quanto o filho era sorridente e apegado, especialmente a ela. “Você podia brigar com ele agora, que na mesma hora ele já estava sorrindo, me chamando. Cada milímetro da minha casa lembra filho, ele era meu xodó. Minha filha me vê chorando e tenta me consolar dizendo que ele está no céu, mas não tem como esquecer. Se quiser pode perguntar pra vizinho, pra qualquer um sobre como era nossa relação”
 
Sobre a informação de que teria sido conduzido coercitivamente à Dedica, explicou que desde a morte do menino ela e o parceiro sabiam que teriam de prestar esclarecimentos e que presença na delegacia já estava marcada desde então. “Nós íamos de ônibus, mesmo sendo longe, a única coisa é que eles buscaram a gente. Não teve isso de ser coercitivo.”

O delegado Eduardo Botelho informou que só irá se pronunciar sobre o caso após o laudo das bebidas recolhidas. Na sexta-feira (26), ele esteve pessoalmente no laboratório responsável pelas análises, que ainda não foram concluídas. Além disso, os depoimentos não foram finalizadas e o casal poderá ser ouvido novamente.

Interdição

O lote retirado de circulação foi levado para o Laboratório Forense da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para análise, além de exames com amostras colhidas da criança em exame de necropsia. Sobre as investigações, a assessoria da empresa Itambé foi notificada na sexta-feira, 26, e informou por meio de nota que está está em contato permanente com a Vigilância Sanitária regional e auxiliando na apuração dos fatos.

"A Itambé foi notificada dos fatos hoje, relatados em Cuiabá, relacionados ao suposto consumo de um produto da linha de achocolatados Itambezinho (200ml). A empresa está em,contato permanente com a Vigilância Sanitária regional e auxiliando na apuração dos fatos. O referido produto está no mercado há mais de uma década e nunca apresentou qualquer problema correlato. Até o presente momento, não tivemos nenhuma outra reclamação do mesmo lote.”, diz trecho do texto.

 

 

 

 

Da Redação - André Garcia Santana

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