30/09/201 - Brigadistas Karajá e Javaé combatem fogo na Ilha do Bananal

Com 1.916.225 ha, a Ilha do Bananal (TO) traz com orgulho o título de “maior ilha fluvial do mundo”. Grande parte da Ilha é coincidente com a Terra Indígena Parque do Araguaia, e ao norte e nordeste estão a Terra Indígena Inãwébohona e Terra Indígena Utaria, ambas sobrepostas ao Parque Nacional do Araguaia. Sendo assim, toda a Ilha do Bananal é considerada terra da União, sendo o maior complexo de reservas existentes no Tocantins.

Ainda assim, esta área de tão rara beleza, transição entre a Amazônia e o Cerrado, todos os anos sofre com enormes incêndios. Estudo publicado por Lazzarini (Nemad/ UFT)¹, demonstrou que no período de 2002 e 2011 as Terras Indígenas do Tocantins tiveram as maiores concentrações de focos de calor no estado. Em 2010, foram 208 focos/1.000km2, valor quase 5 vezes maior do que a média geral anual no Tocantins.

Afim de reverter este quadro, em 2013 o Prevfogo-TO direcionou a formação de algumas de suas brigadas de combate a incêndios florestais para a formação de grupamentos indígenas. Foram criadas 3 brigadas indígenas, uma delas da etnia Javaé, para atendimento da Terra Indígena Parque do Araguaia.

No final de 2013, o IBAMA e a Funai – Fundação Nacional do Índio celebraram um Acordo de Cooperação Técnica para implementar nos 5 anos seguintes o Programa Brigadas Federais em Terras Indígenas, e para realização de ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais.

De acordo com o Prevfogo – TO, a partir da atuação da brigada indígena em 2013, o Parque do Araguaia teve uma importante redução na concentração de focos de calor. Os dados de 2014 ainda não foram sistematizados, mas espera-se uma redução ainda maior.

Em 2014, mais dois grupos da Ilha do Bananal foram formados. O 1º Grupo é formado por brigadistas Karajá e se chama “Teburé”, palavra que significa “valente”. O 2º Grupo é formado por brigadistas Javaé e chamado “Ityhy”, que significa “forte”.

Karirama Suiá Karajá, Chefe da Brigada Teburé, afirma que o trabalho está indo bem, apesar de enfrentar dificuldades como a dificuldade de acesso aos locais de incêndio e a necessidade de melhores equipamentos. Cada equipe trabalha durante 7 dias, 12 horas por dia, depois folgam, enquanto a outra equipe trabalha.

Conscientização e vigilância

Todos os brigadistas passaram por uma formação, onde foram capacitados para a identificação e combate dos incêndios florestais, noções de primeiros socorros e socorros de urgência, práticas no terreno, noções de sobrevivência, organização de pessoal, manuseio de material e equipamentos.

Mais do que apagar incêndios, os brigadistas compreendem que é preciso conscientizar a população. Para isso eles já percorreram órgãos públicos, escolas e foram nas casas de indígenas e retireiros não-indígenas orientando boas práticas em relação ao fogo.

Na oportunidade, os brigadistas também orientaram os moradores da Ilha do Bananal a não cortarem árvores para o uso de madeira, priorizando sempre o reaproveitamento de madeiras ou o uso de madeira seca.

Segundo Karirama Suiá, eles são bem recebidos aonde chegam. “É preciso orientar, o fogo faz parte da cultura indígena, mas causa o aumento da temperatura, a morte de animais e a destruição da natureza. Quem cria gado acha que está melhorando o capim, mas ele já vem fraco”, disse.

Ações de prevenção são as que buscam evitar que o fogo saia do controle quando for usado. A prevenção deve envolver sensibilização e troca de conhecimentos nas aldeias. São pequenas ações que fazem diferença, tais como ter cuidado quando for tirar mel ou queimar marimbondo, não deixar as crianças brincarem com fogo na época da seca e apagar bem as fogueiras dos acampamentos. Para o uso na roça, os brigadistas orientam os indígenas a fazer aceiro e sempre que possível acompanham para garantir a queima controlada.

Mas se a conscientização não funcionar, a multa não costuma falhar. O trânsito dos indígenas pela Ilha é também uma forma de vigilância e protege a Terra Indígena de vários ilícitos, como pesca e retirada de madeira.

De acordo com Suiá, todas as irregularidades observadas devem constar em relatório, que fundamenta a vinda de um técnico que faz a perícia, visando à determinação da origem do incêndio. Em caso de comprovar o incêndio criminoso e a retirada de madeira, os responsáveis serão multados.

De onde vem o fogo?

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Cerrado tem o maior índice de queimadas do Brasil. Só em 2014 foram registrados mais de 395 mil focos de incêndio em território nacional e 45% deles foram no bioma, considerado o segundo mais ameaçado do País.

A atividade humana é a principal causa de queimadas nesta época do ano. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) destaca que 90% dos incêndios florestais têm de origem antrópica.

A Ilha do Bananal historicamente se destaca pelo potencial na criação de gado, pois além de ser constituída por grandes áreas planas, é um dos poucos lugares da região onde o pasto formado pelos capins nativos jaraguá, canarana e capivara resiste mesmo durante a época da seca. Os retireiros queimam o cerrado para que o capim rebrote. Assim, a Ilha do Bananal, que esbanjava diversas espécies de capim nativo, cada vez mais tem seu território invadido pela braquiária e ervas daninhas.

O uso do fogo gera perda da fertilidade e da produtividade a partir da segunda colheita, pois se reduz a quantidade de matéria orgânica que cobre o solo, se elimina os micro-organismos, se intensifica o processo de erosão e assoreamento dos rios, exigindo assim aumento do uso de agrotóxico e herbicidas para o controle de pragas.

Outra causa de incêndios, estes em menor escala e próximos às aldeias, é realizado pelos indígenas. Eles utilizam o fogo para limpar o caminho, afastar animais peçonhentos e facilitar o acesso aos lagos aonde pescam. Além disso, o fogo é utilizado para reduzir o capim seco acumulado, para aumentar a frutificação de algumas plantas e para atrair caça (como emas e veados), que vêm nas áreas onde o capim rebrota.

De fato, a aplicação de queimas periódicas em determinadas áreas, além de auxiliar na prevenção de incêndios, apresenta resultados positivos no manejo da paisagem e de recursos naturais importantes para essas comunidades. No entanto, as mudanças que vêm ocorrendo nas condições ambientais das regiões vizinhas às Terras Indígenas e as alterações no modo de vida das comunidades geram a necessidade de novas discussões sobre o tema.

¹LAZZARINI, Gustavo Maximiano Junqueira et. all. Análise da distribuição de focos de calor no Tocantins entre 2002 e 2011 . Interface (Porto Nacional), Edição número 05, Outubro de 2012.]

 

Por Lilian Brandt/AXA

Comentários

Data: 30/09/2014

De: ralf

Assunto: crio

LAIGA ESSA PORRA QUEMA VAI FICA IGUALI A MARAILWATSEDE.

QUEMA PORQUE OS FAZENDERO POE FOGO E FALA Q É OS INDIO. ESSA É A VERDADE.

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