30/11/2015 - Cinquenta e oito bebês nasceram com microcefalia em MT neste ano

Um total de 58 bebês nasceram com microcefalia em Mato Grosso neste ano e em 54 deles a Secretaria Estadual de Saúde (SES) apura a relação da má formação com o zika vírus durante a gestação.  De acordo com o órgão, os dados apontam um aumento de mais de nove vezes de microcefalia no estado, já que no ano passado foram registrados apenas seis casos.

Destes casos, 46 foram registrados no município de Rondonópolis. Também foram diagnosticados quatro casos em Pedra Preta, um caso em Alto Garças, Alto Araguaia, Jaciara e São José do Povo. 

 

"O alinhamento da microcefalia com a doença está em processo de análise. Vamos lançar um plano de ataque ao mosquito. No entanto, os pacientes que foram confirmados com microcefalia receberão tratamento especial em cada região", declarou o secretário de Saúde do estado, Eduardo Mermudez.

De acordo com o Ministério da Saúde, a causa dos aumentos nos casos de zika vírus no país ainda não foi determinada. Em Mato Grosso, três municípios estão em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika.

Segundo um estudo divulgado na terça-feira (24) pelo Ministério da Saúde, mais de 4% das casas visitadas em
Nobres, Rio Branco e Rosário Oeste continham larvas do mosquito vetor das doenças.

A médica Kadja Samara Sousa informou que a principal consequência da microcefalia é uma falha no desenvolvimento do sistema nervoso do bebê, fazendo com que o perímetro cefálico – a cabeça do bebê – não cresça o suficiente. “Nós temos uma média mundial que é de 33 centímeros, caso seja menor que isso, a criança tem microcefalia”, explicou.

De acordo com a médica, houve uma relação temporal entre os aumentos de microcefalia com o contágio por zika vírus. “Houve um aumento expressivo no contágio por dengue que é transmitido pelo mesmo vetor que transmite a zika vírus, nos últimos seis meses. Portanto, houve também uma exposição maior a infecção e o que leva a concluir que existe nexo entre os eventos”, completou.

Para a médica, caso seja confirmada a relação entre os casos da doença com a microcefalia, os bebês que nascerem nos próximos meses podem ter microcefalia. “Se houver relação, as gestantes expostas nos últimos quatro meses devem ficar atentas”, disse.

As gestantes devem ficar atentas aos sintomas, que, segundo a médica, são muitas vezes silenciosos. “Oitenta por cento dos casos aparecem com poucos sintomas, como dores nas juntas, conjuntivite e pigmentação vermelha na pele (palma das mãos e no pé).

De acordo com a médica, não há tratamento para a microcefalia. “O que pode ser feito é um acompanhamento neurológico e de reabilitação assim que a criança nascer e por tempo indeterminado”, explicou.

Ela explica ainda que o acompanhamento pré-natal identifica a má formação ainda nas primeiras semanas de gestação. Em todo o país, já foram notificados 739 casos suspeitos de microcefalia em 160 cidades do país.

 

 

 

 

G1/MT

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