31/01/2012 - Taxista supera 'pavor' de internet e lucra com clientes via redes sociais

 

Fernando Silveira afirma que 40% do faturamento mensal é através da web.  'Estou sempre antenado', diz taxista, que tem um tablet e cinco celulares.

Não basta carro, combustível e ser associado a um bom sistema de rádio-táxi. Fernando Silveira, 45 anos, tem um arsenal tecnológico formado por cinco celulares, um tablet e um pacote patrocinado de banco de dados. É do uso diário dessas ferramentas que o taxista retira boa parte de sua clientela em Salvador, parte fruto do perfil que mantém no micro blog Twitter, onde é o @taxidesalvador.


“Primeiro eles me mencionam e informam que precisam de um táxi e a ferramenta me mostra a localização. Eu então respondo pela menção que o cliente me fez, mas solicito que o endereço seja me mandado por DM [Direct Message]”, conta Fernando. Pelo balanço do próprio taxista, não menos que cinco pessoas procuram os seus serviços todos os dias via rede social.
“Eles se alegram pela veracidade da coisa. Muitos tentam até para ver se é verdade e depois contam no Twitter. Mas após utilizarem pela primeira vez, eles não chamam mais pela internet, já chamam por telefone”, diz.

Percebi que as pessoas se comunicam mais pelas redes sociais"
Fernando Silveira

A estratégia de se fazer positivamente diferente em meio à frota de táxi que rodava na capital baiana começou a ser pensada há 17 anos, logo no início da carreira. À época, Salvador tinha 7.500 táxis e estimativa de 11.500 motoristas, na soma de dois por veículo, lembra.

“Quando eu me deparei com esse universo de concorrentes diretos, em 1995, eu me assustei. O meu diferencial foi gentileza, me antecipar às necessidades dos clientes e, com essas atitudes simples, de valorizar os clientes, eu passei a dirigir para uma família italiana e eles me cobravam muito a questão da comunicação, que era muito difícil naquele tempo”, recorda.

Mesmo com a resistência declarada à internet, já com apelo popular no começo dos anos 2000, um dos membros da família italiana o convenceu e ele criou o e-mail ‘fernandodotaxi’. “Eu tinha pavor, medo, medo de internet”, enfatiza. “Mas comecei a entender que ela era muito funcional, que estreitava laços, que me aproximava das pessoas. Eu fiz um cartão de visitas e as pessoas passaram a solicitar táxi através de e-mail. Percebi que a internet me abria oportunidade em um nicho de mercado, eu pesquisei e criei um site de agendamento online, que existe há nove anos. Fui perdendo o medo de internet”.

O site só pôde ser consolidado após um apelo virtual disparado, via e-mail, para uma lista de empresas de webdesigners, na tentativa de conquistar interessados na permuta confecção da página por corridas de táxi. “Lembro que meu pedido era de socorro, que eu queria fazer um site, mas não tinha condições. Até que me apareceu uma empresa, que se predispôs a criar a página e eu a deixaria hospedado no servidor. Futuramente, se quisesse sair, levaria meu layout pagando”, descreve.

Reprodução do diálogo de Fernando com cliente (Foto: Reprodução)Fernando é taxista há 16 anos, mas encarou profissionalmente as redes há um (Foto: Reprodução)

Deu certo e o retorno do investimento aconteceu quase que instantâneo. Atualmente, Fernando garante que 40% do faturamento mensal – que é superior à média - são decorrentes desse trabalho que tem sido exercido em simultâneo entre a plataforma online, via serviços como
Twitter, Facebook, Foursquare, e as ruas, rotina que começa às 18h e termina por volta das 6h.

O taxista preferiu fugir do dia-a-dia pelo desconforto do trânsito truncado por congestionamentos, risco que podia esmorecer a paixão que sente pela profissão. “Passei a ter uma vida noturna, até a minha família se condicionou à mudança e hoje ela absorve tranquilo. São dez anos nessa rotina. Trânsito para mim não é estressante, porque eu faço o que gosto. Meu trabalho é meu lazer. Nunca fui assaltado. Analiso os perfis, mas sirvo a qualquer pessoa, não faço distinção de cor, classe social, em nenhum cliente.”, comenta.

Fonte: Associação Metropolitana dos Taxistas
Realidade dos taxistas Salvador
Total de táxis Sete mil
Quantidade
de taxistas
13 mil [dois por veículo]
Sexo Maioria absoluta é homem
Idade De 40 a 45 anos
Média salarial De R$ 2 mil a R$ 2,5 mil

Nas redes, o taxista se comunica com seus clientes, troca informações sobre as condições de trânsito em diversos bairros, posta notícias relacionadas ao assunto e, assim, se faz presente na web, angariando novos seguidores e amigos com o passar do tempo. Em pouco mais de um ano em redes sociais, Fernando acumula aproximadamente 1.600 seguidores no Twitter e 150 no Foursquare.

Quem solicita os seus serviços pela internet ganha sempre 15% de desconto. “Percebi que as pessoas se comunicam mais nas redes sociais, então comecei a entender que uma ferramenta doméstica, social, poderia ser um instrumento de trabalho. Eu agreguei. Mas para isso eu coloquei um atrativo, o desconto, que é um grande atrativo”, relata.

Com a grande demanda conquistada, a filiação de Fernando com uma empresa de rádio-táxi serve mais para repassar clientes que o procuram de modo particular que para obter novas corridas. “Quando eu não posso atender uma pessoa, eu não deixo ele sem atendimento. Mando uma unidade da empresa e assumo o custo do percentual do desconto. O motorista dá o desconto e eu pago aquele valor que foi descontado”, afirma.

Do e-mail às redes sociais, a grande diferença, para Fernando, é a dinamicidade. Em sua experiência, o e-mail hoje serve para troca de mensagens da vida particular, ou íntima, como diz, enquanto explorar a web 2.0 e suas redes de conversação - e geolocalização - pode ter alcance “universal”. “Eu estou sempre antenado. Não tem ninguém [com essa prática] nem aqui em Salvador, nem em qualquer outro lugar”, garante.

 

Tatiana Maria Dourado/ Do G1 BA

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