31/01/2013 - Soja com alto risco de ferrugem na Suiá Missú, mas Funai barra colheita, Mapa fará vistoria

Um risco eminente de propagação de ferrugem asiática nas lavouras de soja da ex-Gleba Suiá Missú que deu lugar a reserva indígena Maraiwatsede chamou a atenção do Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (Mapa) que se dirige nesta quinta-feira (31/01) para a região Nordeste do Estado de Mato Grosso, mais conhecida como Norte Araguaia.

Os produtores rurais entraram com recurso na justiça para terem o direito de colherem as lavouras que tiveram de serem abandonadas desde dezembro pelos produtores por força da retirada dos ocupantes não índios através de uma decisão judicial.

 Pelo menos mil hectares de plantação de soja na Suiá Missú inspiram preocupação. Segundo o Indea (Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso), que recentemente visitou a área, mas restrições impostas pelas forças policiam responsáveis a desintrusão judicial da acabaram limitando a abrangência da vistoria.

 Para Wanderlei Dias Guerra, que coordena da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Mapa, alerta que essas lavouras não passaram nenhum tipo de controle recentemente, “isso é certo. São lavouras onde não foi feito controle algum. A situação não chega a ser alarmante, mas é preocupante”, alerta. O risco é alto de propagação de uma epidemia até para fora dos limites dos Estados.

A vistoria que se inicia nesta quinta-feira foi solicitada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) e pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) após produtores da gleba reportarem o risco de desenvolvimento e propagação da doença em lavouras.

A intenção é produzir um relatório que convença a Fundação Nacional do Índio (Funai), que agora controla plenamente a área da gleba, a autorizar a retirada da produção daquelas áreas consideradas aptas.

Após a tentativa judicial, a Aprosoja entrou em contato com a Funai informando a respeito do risco de propagação de pragas. Alguns produtores dizem, inclusive, que a própria Funai se propôs a realizar a colheita, mas acabou expedindo autorização a pelo menos um produtor da gleba para que a fizesse. Em quatro dias ele deveria retirar do campo toda oleaginosa, tempo este considerado insuficiente.

 “Como há áreas em ponto de colheita, a Funai sabiamente autorizou”, comentou o gerente técnico e institucional da Aprosoja, Nery Ribas, segundo o qual a intenção é que a Fundação estenda o mesmo benefício a outros produtores.

 Se as estimativas de safra forem atingidas, somente esta região colherá 3,6 milhões de toneladas, elevando em 27,8% o resultado produtivo frente ao do último ano. Em função da incorporação de áreas de pastagem pela agricultura, o espaço reservado à soja também cresceu 11,6%, atingindo em 2012/13 um total de 1,2 milhão de hectares.

 Tanto Mapa quanto Associação dos Produtores voltam a chamar a atenção do produtor rural para manter a vigilância sobre as lavouras de soja, principalmente na região Norte Araguaia onde está localizada. O objetivo é reduzir riscos e minimizar perdas. Na safra 2011/12, por exemplo, os prejuízos provocados pela ferrugem asiática oscilaram de R$ 750 milhões a até R$ 1 bilhão, conforme a Aprosoja.

 

O Repórter do Araguaia com Redação

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