31/05/2016 - MT tem 7 escolas ocupadas contra PPPs

Os alunos da Escola Estadual Jaime Campos Júnior, no bairro Jardim Imperial em Várzea Grande, estão fazendo uma manifestação nesta segunda-feira (30), contra o projeto de implantação do modelo de Parceria Público-Privada (PPP), em privatizar 76 escolas e 15 Centros de Formação de Professores (Cefapros).

Já são 7 escolas ocupadas em Mato Grosso, desde o início do movimento. Quatro delas em Várzea Grande, Escola Estadual Ubaldo Monteiro da Silva, Escola Estadual Professora Marlene Marques de Barros, Escola Estadual José Leite de Moraes e Escola Estadual Professora Elmaz Gattaz. Uma em Cuiabá, Escola Estadual Professor Rafael Rueda e duas no interior.

Segundo o presidente da Associação Mato-grossense dos Estudantes, Juarez França, outras escolas estaduais do interior do estado devem aderir ao movimento. "Ocupamos 7 escolas, até o momento e estamos chamando os estudantes para acompanhar de perto este processo. Porque se o governo privatizar quem irá ser prejudicado somos nós e os servidores da escola".

Pelo projeto do governo estadual, inicialmente, 76 unidades e 15 Centros de Formação de Professores passariam a ser administradas por uma empresa escolhida por meio de licitação. Ela ficaria responsável por obras de construção, reforma e manutenção das unidades. A área pedagógica permaneceria com os servidores públicos. Para os estudantes, seria o início de um processo de privatização da rede estadual de ensino.

Outra reivindicação é a segurança. De acordo com os estudantes, profissionais de segurança da unidade de ensino foram demitidos e, assim, a escola fica desprotegida. Por isso, eles pedem que sejam contratados mais funcionários. Na Escola Estadual Ubaldo Monteiro, cerca de 100 estudantes pedem reformas nos espaços pedagógicos da unidade, novos aparelhos de ar-condicionado nas salas e que nenhuma turma tenha mais de 35 alunos. Hoje, segundo os estudantes, algumas classes têm mais de 60 alunos.

O presidente da União Estadual dos Estudantes, Vinicius Brasilino disse que a tendência é que o movimento se amplie para outras regiões do estado, ou seja, aumentando o número de escolas ocupadas para lutar contra o PPP, pela melhoria da merenda e também pela CPI para investigar a corrupção dentro da Seduc. "Até o final desta semana vamos ocupar mais escolas, porque não podemos deixar que privatize a educação. Já temos apoio de alguns municípios do interior como por exemplo, Tangará da Serra, Sinop, Sorriso e Barra do Garças".

Ocupação
A ocupação na Elmaz Gattas começou no dia 22 de maio. Na segunda-feira (23), um representante da Casa Civil tentou negociar a desocupação da escola, o que não foi aceito pelos estudantes.

Durante as ocupações, segundo o presidente da AME, Juarez França, os estudantes têm feito atividades e até se preparado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Temos recebido muitas doações e isso mostra que a sociedade apóia a causa", afirmou. Ele informou que o governo ainda não fez nenhuma proposta e que os estudantes o aguardam nas escolas ocupadas. "O governador Pedro Taques está visitando apenas as escolas centrais", reclamou.

O movimento conta com apoio da UNE (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e da AME (Associação Mato-grossense dos Estudantes). 

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