31/08/2014 - Leste de Mato Grosso concentra municípios 'nanicos' do estado

A região leste de Mato Grosso, ao longo da divisa com os estados de Goiás e Tocantins, concentra seis dos dez municípios menos populosos do estado. Araguainha, Serra Nova Dourada, Ponte Branca, Luciara, Ribeirãozinho e Novo Santo Antônio são municípios “nanicos” que, segundo último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não chegam a reunir sequer três mil habitantes cada.

A lista dos dez municípios menos populosos do estado é liderada por Araguainha, com apenas mil habitantes, e completada pelos demais cinco “nanicos” da região leste e representantes de outras regiões, como Santa Cruz do Xingu (ao norte, perto da divisa com o estado do Pará), Indiavaí e Reserva do Cabaçal (na região oeste) e Planalto da Serra, mais ao centro do território mato-grossense.

Região leste
Na porção mais ao sul do lado leste de Mato Grosso, Araguainha (a 471 km de Cuiabá) forma com os municípios de Ribeirãozinho (2.275 habitantes) e Ponte Branca (1.648) um núcleo de cidades pouco populosas. A maior parte da ocupação desta área do estado foi decorrente da antiga atividade garimpeira, mas suas emancipações como municípios não chegam a contar mais de setenta anos.

Com direção ao norte, ainda no lado leste do estado, são encontrados municípios como Luciara (2.121 habitantes), Serra Nova Dourada (1.492) e Novo Santo Antônio (2.301) entre as terras da reserva indígena do Xingu e a divisa com Goiás. A centenas de quilômetros de distância da capital, esta parte do estado passou anos sendo chamada de “vale dos esquecidos”.

Municípios menos populosos de MT

População

1. Araguainha: 1.000;

2. Serra Nova Dourada:1.492;

3. Ponte Branca:1.648;

4. Luciara: 2.121;

5. Santa Cruz do Xingu: 2.213;

6. Ribeirãozinho: 2.275;

7. Novo Santo Antônio: 2.301;

8. Indiavaí: 2.518;

9. Reserva do Cabaçal: 2.621;

10. Planalto da Serra: 2.665

Como resultado do isolamento, do crescimento econômico limitado e da distância em relação à capital do estado, a população desses municípios nanicos utiliza cidades um pouco maiores como polos para serviços, comércio e afins.

Este é o papel desempenhado, por exemplo, por Alto Araguaia (a 426 km de Cuiabá e com 17.168 habitantes) ou por Barra do Garças (a 516 km e com 58.099 habitantes) para os moradores de Ponte Branca, Ribeirãozinho e Araguainha quando o assunto são serviços bancários, estudos e busca de empregos, entre outros. Nesta região, os moradores também recorrem à cidade goiana de Mineiros.

População e economia
Segundo o prefeito de Ponte Branca (a 502 km da capital), Humberto Nogueira (DEM), a segurança e o aspecto pacato da cidade é o principal benefício de sua população tão pequena. Entretanto, administrar um município tão pouco populoso – a não ser que se invista fortemente na agricultura – significa depender integralmente dos repasses de verba da União via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), já que a administração arrecada muito pouco com tributos como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Nogueira relata que a pecuária, principal atividade local, não tem refletido em crescimento econômico e a principal geração de empregos acaba sendo a própria administração municipal. Como a população jovem emigra para outras cidades em busca de estudos e trabalho, a população idosa gera uma demanda previdenciária insustentável.

A prefeita de Araguainha, Maria José das Graças Azevedo (PR), também reclama da dependência dos recursos da União. “O IPTU mais alto aqui é de duzentos reais e pouco”, aponta. Ela lamenta a evasão dos jovens da cidade para lugares como Cuiabá ou Goiânia, processo que dificulta a diversificação econômica local. Segundo a prefeita, os pecuaristas da região não investem em outras frentes de trabalho e o municípo não deixa o estado de estagnação.

O resultado é uma cidade sem criminalidade e de ruas pacatas, muito tranquila para o dia a dia dos idosos e das crianças até entrarem no segundo grau, mas sem qualquer movimentação econômica que possa refletir como melhorias por parte da Prefeitura.

 

 

Escrito por G1/MT

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