Seg, 24 de Janeiro de 2011 09:38 Psiquiatra vende atestados médicos para PMs em Cuiabá

O doutor Ubiratan de Magalhães foi flagrado em uma gravação dando um atestado para uma paciente que não estava sentindo nada.

Um médico psiquiatra de Cuiabá é acusado de vender atestados para pessoas que não estão doentes ficarem em casa. Com uma câmera escondida uma policial que não tem nenhum problema de saúde, foi até o consultório de médico. Sem saber que estava sendo investigado e gravado, o médico abriu o jogo.

 

As imagens foram feitas a pedido da corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público, que desconfiaram do médico. Em seu consultório, pacientes sem qualquer problema de saúde compram atestados para conseguir afastamento remunerado.

O que despertou a atenção das autoridades foi a quantidade de atestados apresentados à corporação por problemas psiquiátricos assinados sempre pelo mesmo médico, o Dr. Ubiratan de Magalhães Barbalho. Só no ano passado, foram 87. Na maioria dos casos, os policiais respondiam a processos administrativos.

"Toda vez que policiais sem nenhum histórico de doenças ou de problemas psiquiátricos eram surpreendidos numa atividade criminosa e eram submetidos a um procedimento administrativo visando a demissão desses policiais, a exclusão deles, via de regra, os atestados do Dr. Ubiratan vem aos autos", aponta Joelson Sampaio, corregedor da PM.

"Esse profissional emite atestados que são utilizados em fraudes perante a administração pública e que efetivamente vem causando prejuízos a toda sociedade", afirmou o promotor de Justiça Militar Vinícius Gahyva.

E esta não é a primeira vez que a conduta do Dr. Ubiratan é investigada. Em 2005, ele foi exonerado do cargo de psiquiatra do sistema penitenciário por improbidade administrativa. Em 2007, ele foi acusado de envolvimento com uma quadrilha que fraudava o INSS em Mato Grosso e outros estados. Mas ele continua em atividade. O Dr. Ubiratan também receita remédios controlados de uso psiquiátrico sem qualquer necessidade...

Caso Ana Cristina

Outro caso grave de emissão de atestados falsos pelo Dr. Ubiratan envolve um policial militar. Claudemir de Sousa Sales é acusado de matar a ex-amante, Ana Cristina Wommer em agosto de 2010, grávida de oito meses. Claudemir está detido no presídio militar. Seu processo está parado por causa do atestado do Dr. Ubiratan.

"Depois que ele matou a minha filha apresentou atestado de insanidade mental. Como que antes ele estava trabalhando e a polícia não viu que era doente mental?", diz a mãe da vítima.

Procurado pela nossa produção, o Dr. Ubiratan não quis gravar entrevista. Um inquérito será aberto contra ele nesta semana.

"Constatando fraude, que ocorra a responsabilização tanto do servidor que se utilizou do atestado falso, quanto do médico que concedeu", apontou Gustavo Dantas Ferraz, promotor de Defesa do Patrimônio Público.

O Conselho Regional de Medicina também vai apurar as denúncias. "Vai ser feito uma sindicância para que esse médico seja julgado pelo Conselho de Medicina. São denúncias muito fortes. Uma vez comprovado o teor dessa denúncia, ele deverá ser apenado pelo Conselho de Medicina", afirmou Arlan Ferreira - presidente do CRM.

Escrito por TVCA