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Mato Grosso registra 328 vítimas de estupro de vulnerável em três meses

04/05/2026

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Mato Grosso contabilizou 328 vítimas de estupro de vulnerável apenas nos 3 primeiros meses de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número revela uma realidade alarmante, com média de 4 novos casos registrados a cada 24 horas no estado.
Apesar de uma redução de 8,12% em relação ao mesmo período do ano anterior que registrou 137 casos, o monitoramento mensal acendeu um alerta. Após leve queda em fevereiro, com 104 registros, os registros voltaram a crescer em março, que contabilizou 116 vítimas, o maior índice do ano até agora.
Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, o crescimento dos números está ligado a dois fatores principais: o aumento da violência e também a ampliação das denúncias. “Há um aumento, sim, no conhecimento e na divulgação. Quando os números vão aumentando, aumenta-se também a divulgação dos canais. Isso faz com que mais pessoas denunciem, mas também se verifica, infelizmente, uma crescente na violência”, afirmou.
Segundo a promotora, mesmo quando há estabilidade nos dados, o comportamento dos registros revela um cenário preocupante. “Esses números sobem, depois estabilizam, e voltam a subir. Assim como nos casos de violência contra a mulher, em 2026 já percebemos uma crescente. Isso ocorre tanto pelo aumento da violência quanto pela maior divulgação da rede de proteção”, explicou.
Perfil das vítimas
Os dados reforçam a vulnerabilidade de meninas e mulheres. Das 328 vítimas registradas, 280 são do sexo feminino, cerca de 85% do total.
De acordo com Claire, esse padrão já é conhecido pelas autoridades. “A maior parte das vítimas são meninas, desde muito novas. Isso coincide com os dados da violência contra a mulher, que também é uma área de atuação mais específica do Ministério Público”, destacou.
Crimes dentro de casa
Um dos pontos mais alarmantes, segundo a promotora, é o fato de que a maioria dos casos ocorre dentro do ambiente familiar. “A grande maioria desses crimes acontece dentro de casa. Os agressores, geralmente, são pessoas do convívio da vítima: parentes, amigos ou vizinhos. Isso dificulta muito a denúncia”, disse.
Ela alerta ainda que, muitas vezes, os casos acabam sendo ocultados. “Infelizmente, muitas situações são abafadas dentro da própria família, e a criança acaba ficando sozinha, sem conseguir se libertar desse ciclo, o que gera traumas para toda a vida.”
A promotora destaca que ações educativas têm papel fundamental no aumento das denúncias, especialmente dentro das escolas. “O Ministério Público desenvolve projetos como o ‘Prevenção Começa na Escola’, que utiliza teatro para abordar a violência de forma lúdica. Quando esse trabalho é realizado, a gente percebe um aumento nas denúncias, porque as crianças passam a se reconhecer nessas situações”, explicou.
Ela também reforça a responsabilidade de profissionais e da sociedade. “Escolas, unidades de saúde, igrejas e toda a sociedade precisam estar atentas. Existe, inclusive, obrigação legal de profissionais da saúde notificarem casos de violência. A proteção das crianças é uma responsabilidade coletiva.”
Canais de denúncia
Casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100 ou diretamente em delegacias e unidades do Ministério Público.

 

 

Maria Klara Duque
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